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Leiria: Geradores devolvem alguma normalidade a quem contabiliza mais de uma dezena de dias sem luz

Moradores a poucos quilómetros do centro da cidade estão sem luz desde o dia da tempestade. Geradores têm ajudado com tarefas essenciais.

Paulo Félix mora nos Marrazes, a cerca de um quilómetro do estádio de Leiria, e continua sem energia em casa FOTO: Joaquim Dâmaso

Estar impedida de abrir os estoros elétricos e ver sempre a sua casa em permanente escuridão é o que mais custa a Manuela Campaniço desde que ficou sem eletricidade, depois da tempestade Kristin.

“Causa-me uma ansiedade terrível”, partilhou com o REGIÃO DE LEIRIA no dia de fecho desta edição, 10 de fevereiro, o mesmo em que contabiliza 14 dias sem luz na sua casa em Ponte da Pedra, no concelho de Leiria.

Sublinhando que não foi “de todo” uma das pessoas que teve mais prejuízos, lembra que a noite do vendaval foi vivida com “um bocadinho de pânico, mas depois foi hora de arregaçar as mangas”. Houve telhas que voaram do telhado, a chaminé e a vedação da sua moradia ficaram danificadas, houve árvores partidas e telhas que caíram em cima do carro.

Nos primeiros dias chegou a ter chuva a cair num dos quartos, mas, para já, o problema está desenrascado. “O telhado está remendado, mas vamos ter de colocar um novo”, dá conta.

A água veio uns dias depois, mas permanece sem luz e, por isso, sem acesso a notícias, outra coisa que diz sentir falta. Para cozinhar faz-se valer do fogão a gás e de um gerador onde consegue ligar a air fryer e outros aparelhos. “Tem de ser à vez, vou ligando e desligando coisas”. Já conseguiu até lavar louça e roupa nas respetivas máquinas.

Emprestado por uma amiga, o gerador tem ajudado a devolver alguma normalidade aos dias, numa altura em que a previsão para a reposição total da energia é o final deste mês, segundo o presidente da E-Redes, José Ferrari Careto. Apesar disso, Manuela Campaniço desafa que “tudo demora mais tempo” a fazer, da mais simples à mais complexa tarefa. “Com o gerador a vida fica facilitada, mas não é a mesma coisa que ter energia”, completa.

Em situação semelhante está Paulo Félix que, mesmo a viver a cerca de um quilómetro do estádio de Leiria, ainda não tem luz em casa. “Não é fácil, e nós temos um gerador que acaba por ajudar, mas é complicado na mesma”, começa por contar.

O gerador foi comprado, inicialmente, para dar energia à bomba que retira a água acumulada na garagem em consequência da chuva, mas, em alguns momentos, serve para carregar aparelhos e poder tomar um banho quente.

“Não ligamos a placa [para cozinhar], nem o frigorífico porque o gerador não é assim tão forte”, adianta. Chegaram a ‘fazer’ uma máquina de roupa, mas apenas isso. Numa casa onde tudo depende da luz para funcionar, desde os estoros à placa da cozinha, o professor de educação física diz que é como estar acampado na própria casa com a mulher e os dois filhos, de 13 e 15 anos.

Já de volta ao trabalho e com os mais novos na escola, as noites são o maior desafio. “Basicamente vamos sempre buscar comida fora, estamos fartos de comer pizzas e pão… e ontem [segunda-feira] fizemos uma refeição quente, porque fui buscar frango”, acrescenta. Depois, e não havendo televisão, o entretenimento surje com recurso aos telemóveis – enquanto a bateria dura – e a conversas entre todos.

Enquanto conversa com o nosso jornal, recorrendo a uma lanterna para iluminar a sala, revela os estragos que a Kristin deixou na sua casa. Os painéis solares ‘voaram’ do telhado, bem como a vedação da casa e parte da relva sintética do jardim. Mas o que mais o impressionou na manhã do dia 28 foi a quantidade de árvores caídas nas ruas mais próximas.

Ontem, quarta-feira, 39 mil clientes continuavam sem energia em Portugal continental, às 8 horas, a maioria no distrito de Leiria.

Esta semana, a Câmara de Leiria e os 20 presidentes de juntas de freguesias do concelho escreveram uma carta aberta ao presidente do conselho de administração da E-Redes, onde exigiram que os lesados sejam compensados pelos danos da interrupção da energia, mas também pela falta de informação objetiva por parte do operador. Entre outras exigências, os autarcas pedem que seja divulgado o ponto de situação concreto em cada freguesia e que prazos previsíveis estão a ser considerados para a reposição do serviço.