Procurar
Assinar

Subscreva!

Newsletters RL

Saber mais

Siga a dança no Conservatório Annarella Sanchez: a reconstrução já começou

Ensaios foram transferidos para vários espaços de Leiria e dentro de 15 dias a responsável espera ter reposta alguma normalidade no projeto que prepara bailarinos profissionais.

Rua de acesso ao Conservatório Annarella Sanchez, na Gândara dos Olivais

O Conservatório Internacional Annarella Sanchez ficou sem casa mas ninguém baixa os braços no projeto que preparar bailarinos e bailarinas para a profissionalização.

Na Gândara dos Oliveira, a depressão Kristin fez imensos estragos. “A situação é muito complicada. Ficámos com tudo destruído: teto, ar condicionado, chão, aparelhagem sonora, guarda-roupa, fatos caríssimos, até um dos pianos está estragado…”, lamentou Annarella Sanchez, no início da semana.

Rapidamente foi lançada uma campanha de recolha de fundos, que tem como objetivo 28 mil euros. “Já vamos em 23 mil…, mas é pouco, nem dá para uma sala”, porque o ballet precisa de condições muito rigorosas, como isolamento no teto e chão com caixa de ar com linóleo. “Estamos a aproveitar o que der mas, pelo que vemos, está quase tudo estragado”.

Annarella, contudo, desiste. “Como no covid, o importante é não parar”. Com todas as salas do espaço destruído, desdobrou-se em contactos e os seus bailarinos e bailarinas estão a ensaiar em vários espaços: no Colégio Nossa Senhora de Fátima, na Black Box, na Biblioteca Municipal, no átrio do Teatro José Lúcio da Silva – “entrou água no palco e está com problemas, não dá para usar”.

“Desde ontem [segunda-feira] comecei a reorganizar-me”, apesar de algumas das suas bailarinas se terem assustado. “Sem eletricidade e condições, algumas apanharam o avião e voltaram para os seus países”.

Entretanto, apesar de lhe ter sido oferecida uma escola de dança em Algés para continuar o trabalho, recusou e já começou a reconstruir as instalações na Gândara dos Oliveira.

“Espero em 15 dias ter as condições mínimas para regressar”. Teve também o apoio de várias pessoas. “A ministra da Cultura ligou-me, tal como o diretor da Ópera de Paris e a diretora da Ópera de Viena. Tivemos ajuda de pessoas de vários pontos do mundo”.

Depois do sofrimento que a destruição lhe causou no primeiro dia, “agora estou a ver alguma coisa [positiva], entre estas dificuldades todas”, confessa Annarella.

Na Gândara dos Olivais, as suas alunas estavam algo isoladas, no circuito casa-ensaios. “Agora, por irem ao centro de Leiria, na Biblioteca, estão a envolver-se e a conhecer a cidade como não conheceram antes, e misturar-se com as pessoas”.