Os concessionários de automóveis da região de Leiria sofreram danos em instalações e veículos que já atingem dezenas de milhões de euros, numa altura em que ainda está a ser feito o balanço dos prejuízos, em consequência da passagem da tempestade Kristin.
Um dos casos paradigmáticos aconteceu no Alto do Vieiro, em Leiria, onde o vendaval arrastou telhas, placas metálicas e outros objetos, fazendo-os embater nos edifícios dos concessionários e noutras empresas, depois de cruzarem a A19 e o IC2 – ou seja, a mais de 60 metros de distância.
O responsável de Património da Ascendum, Luís Sousa, explica que a tempestade causou “um estrago valente”. “A cobertura está quase toda danificada e as montras da fachada partiram. Quanto às viaturas, ainda estamos a fazer o levantamento: ficaram danificadas cinco ou seis máquinas e mais camiões”, adianta.

Uma ideia real dos prejuízos só será possível depois de limpar as viaturas, que ficaram cobertas de detritos, mas Luís Sousa adianta que poderão, “ascender a meio milhão de euros, ou mais”.
O administrador da Lubrigaz, Nuno Roldão, também ainda não está em condições de “quantificar com exatidão o montante dos prejuízos”, mas adianta: “são danos na cobertura, em elementos identificativos da marca e em estruturas exteriores, nas localizações de Leiria e Caldas da Rainha”.
Há ainda a registar “a total destruição dos dois showrooms da Lubricar, no Alto do Vieiro, e inúmeros estragos nas viaturas expostas e parqueadas no exterior”, do concessionário e dos seus clientes.

Para poder funcionar, dentro das circunstâncias, a Lubrigaz viu-se obrigada “a suportar enormes custos com geradores”, pois, caso contrário, “ainda estaria totalmente parada”, no final da semana passada.
As concessões do Grupo NOV Automóveis também sofreram danos avultados. “Num primeiro levantamento, na LPM Leiria e a Lizdrive Leiria, entre estragos ao nível dos edifícios e dos carros, estamos a falar provavelmente de 1,5 a 2 milhões de euros”, afirma o CEO, Paulo Conceição.
“As instalações que sofreram maiores danos foram as da LPM Leiria: dois terços da cobertura voaram, ficámos com o showroom ao ar livre, as vedações caíram, as montras e as portas foram arrancadas pela força do vento. Uma árvore centenária partiu-se em três partes e um outdoor no parque contíguo de usados caiu em cima de dois carros”, adianta Paulo Conceição.
Além dos prejuízos nas instalações, que também atingiram a LPM Tomar, o CEO do Grupo NOV Automóveis – que está a atender os clientes “o melhor possível” – aponta para “cerca de 80 carros danificados, oito ou nove que são perdas totais e os outros com danos menores e de média dimensão”.
No caso da MCoutinho Bomcar, o diretor-geral, Filipe Vinha, explica que “há danos nas instalações e em viaturas”, fazendo notar que “o que acabou por provocar mais estragos foram os painéis fotovoltaicos [dezenas] e as suas estruturas de betão, que se soltaram”.
Na segunda-feira, o concessionário já “funcionava com mais normalidade”, apesar das dificuldades. Mas, como em todos os outros casos, a retoma total da atividade ainda vai demorar.
Os estragos estendem-se aos outros concessionários e a dezenas de empresas de usados.

