O presidente da Câmara e o comandante dos bombeiros de Figueiró dos Vinhos pedem a intervenção do Exército para ajudar a desobstruir caminhos florestais e limpar florestas face ao maior risco de incêndio criado pela tempestade Kristin.
“Estamos bastante apreensivos relativamente à época [de risco de incêndios] que aí vem, porque não temos meios enquanto concelho dizimado por esta tempestade. Há muita estrada, muito caminho florestal, muitas árvores caídas”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Carlos Lopes.
O autarca explicou que o município tem feito “um esforço muito grande com sapadores ao serviço da Câmara” para limpar caminhos e floresta, mas revelou temer que, sem outros meios, o território não chegue ao verão “na situação que seria recomendável”.
“Quando a tutela determina prazos para limpezas rápidas, não estou a ver como irá acontecer sem intervenção de entidades nacionais. Por isso, lanço este pedido de apoio. O território não tem recursos humanos que possam deixar o terreno outra vez desimpedido deste tipo de pólvora”, afirmou Carlos Lopes.
O autarca, que sentiu o apoio do Exército após a passagem da tempestade Kristin que terá afetado mais de mil casas naquele concelho do distrito de Leiria, gostava de voltar a ver as Forças Armadas mobilizadas “para esta fase”.
“Não há nestes concelhos condições para cumprir as limpezas, seja pela parte pública ou privada. Era de bom tom que fossem mobilizados recursos de todo o país para estas áreas desprotegidas”, disse.
Carlos Lopes recordou que a maioria dos proprietários são idosos ou não vivem no concelho e admitiu que começam a concentrar-se “alguns barris de pólvora” por Figueiró dos Vinhos, um dos municípios mais afetados pelo incêndio de Pedrógão Grande, em 2017.
Para dar um exemplo da dificuldade de dar resposta às necessidades, o autarca recordou que o município lançou uma hasta pública para a limpeza de 30 hectares de árvores da mata do município onde “não ficou uma árvore de pé” e que o vencedor não garante que consiga “remover com os meios que tem o material lenhoso nos próximos meses”, num concurso que priorizava a rapidez da intervenção.
O comandante dos Bombeiros de Figueiró dos Vinhos e presidente da Federação dos Bombeiros de Leiria, Jorge Martins, afirmou à Lusa que em todos os momentos que pôde tem vindo a alertar para esta situação em diferentes instâncias regionais e nacionais ligadas à proteção civil.
“Já com as estradas limpas, temos dificuldades nestas zonas para combater os incêndios. Assim, é uma dificuldade acrescida”, vincou.
Jorge Martins partilhou da preocupação de Carlos Lopes face ao verão que se aproxima e considerou que a atual situação pode pôr em causa a segurança dos operacionais, além de haver condições para o incêndio progredir com mais intensidade e velocidade, face ao combustível caído e seco.
“Estas zonas têm um historial muito grande, os incêndios costumam ser complicados e, quando arrancam, arrancam com violência. Com obstrução de estradas, o risco será maior e o incêndio irá propagar-se muito mais rapidamente”, alertou.
Também Jorge Martins, que enalteceu o trabalho do Exército na desobstrução de vias e recuperação de habitações no concelho depois da passagem da Kristin, considerou que seria “importante, nesta fase, os militares darem apoio, até porque têm material para isso”.