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Amarense sobe à II divisão nacional de futsal a jogar “fora de casa”

Com 14 vitórias, três empates e outras tantas derrotas, equipa de Casal do Marra, na Batalha, é a primeira a garantir a promoção à II divisão. União e coesão do grupo foram fundamentais quando clube perdeu pavilhão

A vitória, no último fim de semana, por 4-2, frente ao ACR Saavedra Guedes valeu mais do que três pontos. Muito mais.

A AR Amarense garantiu o acesso direto à II divisão nacional de futsal, em seniores masculinos, escalão onde já atuou durante 16 anos, e celebrou em cima de destroços. Literalmente. É que no final do jogo, a equipa deslocou-se ao pavilhão do clube, em Casal do Marra, concelho da Batalha e tirou uma fotografia no meio do recinto desportivo, destruído na sequência do mau tempo que atingiu a região a 28 de janeiro.

Naquela manhã, Vítor Batista saiu de casa com a esposa e, pelo caminho, alguém lhe disse que o pavilhão tinha voado. “Pensei que era um telheiro que temos atrás do pavilhão e que tinha sido construído há pouco tempo. Eram umas 8h10. Vi tudo destruído e não aguentei e fui embora”, recorda o presidente da direção da AR Amarense.

Voltou poucas horas depois, consciente do que iria encontrar, e tal como ele, muitos outros dirigentes, atletas e amigos do clube “choravam” a tragédia que ali tinha ocorrido.

Parte do telhado voou, outra cedeu e arrastou consigo as paredes ou muros. Alguns pilares ficaram inclinados e todo o sistema de iluminação foi atingido. O piso, com o que caiu e depois com a chuva, está irrecuperável.

“Este pavilhão foi feito em 40 anos. Não vamos estar agora mais 40 anos à espera de fazer um novo pavilhão, é impensável. Os tempos são diferentes, as exigências são diferentes, ainda por cima acabamos de subir para a II divisão, onde há mais exigências ainda e por isso temos de ter um pavilhão feito a curto prazo. Para mim, dois anos é muito”, refere o dirigente.

Com algumas verbas do seguro para receber – “que devem dar para colocar as paredes no ar”, diz – e apoios por parte das entidades oficiais e da própria comunidade, Vítor Batista estima que a obra ultrapasse os dois milhões de euros. “Há uma ideia do que queremos, temos alguns projetos, mas tudo depende do valor que se consiga arranjar”, justifica, indicando que serão tidas em conta as necessidades das equipas de futsal e basquetebol da AR Amarense, até porque eles são a chave do sucesso.

“Temos um grande grupo de atletas, dirigentes, treinadores e eles é que conseguiram este objetivo, conseguiram este feito, porque a direção andava um bocado preocupada com o pavilhão e eles conseguiram aguentar. Isso é o melhor que temos, a união entre todos, manter sempre o grupo coeso e com força para conseguir o objetivo que foi alcançado”, salienta Vítor Batista.

Voltar ao caderno

Com o “objetivo de ganhar” bem definido desde o início do campeonato, depois da promoção ter escapado na meia final do playoff na última temporada, o prémio chegou a duas jornadas do final da primeira fase da III divisão nacional – série B.

“Este ano tínhamos de fazer melhor do que fizemos no ano passado e só o primeiro lugar é que nos garantia a subida. Foi o que fizemos”, diz Pedro “Pipa”, técnico da Amarense há oito anos.

E é uma época de sucesso. A equipa começou por conquistar a Taça de Honra da AFLeiria, em setembro passado, frente à Burinhosa, garantiu o acesso à II divisão nacional e quer ainda garantir o troféu de campeão da III divisão nacional na fase final, cujo arranque está previsto para 17 de maio. “Sabemos que não será fácil, também essas equipas serão campeãs das suas séries, querem o título e têm orçamentos que em nada se compara ao nosso e ao que vivemos aqui, sobretudo nestas condições”, refere.

Até porque também para os jogadores e equipa técnica as últimas semanas não foram fáceis. Aos estragos registados nas habitações, partilharam a dor dos treinos e jogos fora da “sua casa”, deslocações e até alguns ajustes técnicos. Pedro “Pipa” trocou o computador pelo caderno debaixo do braço para voltar a programar treinos. A falta de comunicações impossibilitou, num primeiro momento, a concentração dos atletas para treinos, e depois na tentativa de adiar jogos e reportar eventuais alterações às equipas adversárias e Federação Portuguesa de Futebol. Treinaram no campo do CS Évora de Alcobaça e, mais tarde, no municipal da Batalha, onde estão a jogar.

“É a ‘casa’ que nos acolhe bem, é a ‘casa’ disponível, tendo em conta que é dentro do concelho, faz todo o sentido jogar lá. Não é a mesma coisa, a nível logístico e até mesmo da coesão do grupo, a falta do balneário… Lembro-me, no último jogo aqui [a 24 de janeiro], depois de ganharmos à Ribafria, disse aos jogadores que tínhamos isto na mão, eram seis jogos em casa e quatro fora. Acabámos por fazer os dez jogos fora, não perdemos pontos no pavilhão da Batalha e assim queremos continuar”, afirma.

Até à fase final, adianta o treinador, é preciso gerir lesões, castigos e até alguma pressão. Talvez por isso tenha dado folga ao plantel durante toda a semana.

“Nos dois jogos que faltam, vamos gerir e dar minutos aos menos utilizados. Eles queriam treinar esta semana, mas foram semanas, principalmente a partir da Kristin, muito, muito difíceis. E o pessoal mereceu, empenhou-se, não baixou os braços e assumiu a responsabilidade de perceber que, se calhar, a subida era a única esperança e única salvação para ter uma alegria este ano”, considera Pedro “Pipa”, acrescentando que é tempo de celebrar e ainda é cedo para falar de 2026/2027.