A Cáritas Diocesana de Leiria alertou esta quinta-feira, dia 30, para a demora nas respostas das seguradoras e dos apoios públicos na sequência do mau tempo, situação que está a condicionar a recuperação de várias famílias.
“A demora nas respostas das seguradoras e dos apoios públicos continua a condicionar a recuperação de várias famílias”, referiu a instituição, que alertou para “o impacto psicológico da situação prolongada nas pessoas afetadas”, considerando que a “saúde mental das comunidades deve ser contemplada nas respostas em curso”.
Numa nota de imprensa, através da qual faz o ponto de situação do Fundo de Emergência Social de Apoio às Vítimas da Tempestade Kristin, a Cáritas revelou que já atribuiu 142.088,85 euros em apoios.
Daquele valor, cerca de 125 mil euros destinaram-se à reparação e reconstrução de casas, quase 11.200 euros foram para reparar bens móveis e o apoio para pagamento a rendas de casa atingiu quase cinco mil euros.
A instituição apoiou ainda o pagamento de despesas correntes (água, luz e telecomunicações) e bens essenciais (eletrodomésticos).
“A reparação e reconstrução de habitação representa a grande maioria dos apoios concedidos, refletindo a dimensão dos danos estruturais provocados pela tempestade Kristin”.
Já “o apoio ao pagamento de rendas de casa destina-se às famílias que, face à falta de condições das suas habitações anteriormente arrendadas — danificadas ou declaradas inabitáveis pela Proteção Civil —, foram obrigadas a procurar novas habitações”, esclareceu.
O Fundo de Emergência Social foi criado pela Cáritas em 30 de janeiro, dois dias depois de a depressão Kristin ter atingido a Região de Leiria. Angariou até agora cerca de 2,3 milhões de euros, valor ainda provisório.
Desde o início da atividade do Fundo, foram instaurados 71 processos de candidatura a apoio, sendo que uma Comissão de Acompanhamento, composta por elementos independentes nomeados pelo bispo de Leiria-Fátima, reúne com regularidade “para deliberar sobre cada processo, com base em avaliação técnica e visita obrigatória ao local”.
Do total, 16 foram recusados por não cumprirem os critérios e “16 famílias foram apoiadas financeiramente, abrangendo 27 adultos e 11 crianças, num total de 38 pessoas”.
“A população idosa constitui o grupo predominante entre os beneficiários apoiados”, adiantou.
Os restantes processos estão “em análise ou suspensos, aguardando a definição dos apoios públicos e das seguradoras, uma vez que o Fundo assume uma função complementar a esses apoios, e não substitutiva”, salientou a Cáritas Diocesana de Leiria.
A instituição reconheceu que “os apoios financeiros do Fundo ainda não atingiram a dimensão prevista, devido a dois fatores externos”, um relacionado com seguradoras: “Muitos processos aguardam a conclusão das peritagens e o pagamento pelas respetivas companhias de seguros”.
O outro fator é relativo ao apoio do Estado via comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, sendo que “vários requerentes aguardam ainda a validação e pagamento deste apoio público”.
“O Fundo funciona como complemento a estes apoios, pelo que a sua indefinição condiciona as deliberações da Comissão”, advertiu, assegurando que “mantém o acompanhamento destes processos e procura agilizar as deliberações dentro dos limites do regulamento”.
Dois técnicos especializados trabalham a tempo inteiro no Fundo e são “responsáveis pela instrução dos processos, pelo diagnóstico social das famílias e pelo encaminhamento para outras prestações sociais a que possam ter direito, estabelecendo igualmente a articulação com os municípios sempre que necessário”.
“A Cáritas Diocesana de Leiria mantém articulação regular com os municípios atingidos e realiza visitas de proximidade em coordenação com as uniões e juntas de freguesia, com o objetivo de identificar situações de vulnerabilidade não sinalizadas.