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Comissão de Defesa da Linha do Oeste contesta falta de reparações após as tempestades

A comissão considera “indispensável a progressiva reabilitação do troço Meleças/Caldas da Rainha, para que o transporte de passageiros em comboio seja reposto à medida que as obras fiquem concluídas”.

A reparação destes troços “reduziria o tempo das ligações que estão a ser feitas por autocarro”, defende a comissão FOTO: Comissão para a Defesa da Linha do Oeste

A Comissão para a Defesa da Linha do Oeste (CPDLO) exige a reposição gradual do transporte de passageiros no troço Meleças/Caldas da Rainha, considerando inaceitável que dois meses e meio depois das intempéries haja locais sem qualquer reparação.

A comissão considera “indispensável a progressiva reabilitação do troço Meleças/Caldas da Rainha, para que o transporte de passageiros em comboio seja reposto à medida que as obras fiquem concluídas”.

Num comunicado, a CPDLO diz ainda ser inadmissível “a atual situação de encerramento da Linha na íntegra neste troço, por um período tão alargado de tempo, como aquele que foi anunciado”.

Em 9 de fevereiro, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, admitiu que a linha ferroviária do Oeste iria demorar “no mínimo nove meses” a ficar totalmente operacional, na sequência dos danos causados pelas tempestades que assolaram o território nacional.

Para a CPDLO, há “uma notória falta de vontade da parte do Governo e da Infraestruturas de Portugal (IP), em resolver no terreno os problemas com que a Linha do Oeste está confrontada” e que, dois meses e meio depois das intempéries, há locais onde “ainda não se verificou qualquer intervenção”.

À agência Lusa, o porta-voz da comissão, José Rui Raposo, exemplificou com os “casos de críticos” de Pinhal (no concelho de Óbidos, distrito de Leiria) e Outeiro da Cabeça (no concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa), “onde as intervenções são de menos complexidade e já poderiam ter avançado, permitindo, pelo menos, retomar a circulação entre Caldas da Rainha e Torres Vedras”.

A reparação destes troços “reduziria o tempo das ligações que estão a ser feitas por autocarro”, alternativa que a comissão diz não ser “uma oferta válida para os passageiros que pretendem deslocar-se entre as Caldas da Rainha e Meleças”.

O “elevado tempo de cada viagem (duas horas e um quarto)”, a “falta de conforto” e os “atrasos significativos nas horas de partida e de chegada (uma hora e mais em muitos casos)”, são alguns dos motivos apontados.

Segundo a comissão, esses atrasos têm depois “consequências nas ligações aos comboios de Caldas da Rainha para norte”.

No texto, a CPLO aponta dois tipos de problemas à linha férrea: a necessidade de conclusão das obras de modernização e de eletrificação, agravado pelos danos decorrentes da intempérie, e a falta de material circulante.

“Num caso e noutro, têm faltado as medidas adequadas e atempadas para que este troço ferroviário veja aproveitadas todas as suas potencialidades”, sustenta a comissão no comunicado, denunciando que no troço entre as Caldas da Rainha e Coimbra ou Figueira da Foz, “apesar de reposta a circulação ferroviária (suspensa após as tempestades), a situação não melhorou significativamente na qualidade do serviço” dado o número de comboios ser agora “bastante inferior, havendo espaços de tempo entre comboios no mesmo sentido, a partirem das Caldas da Rainha, na ordem das cinco horas”.

Às dificuldades criadas pela falta de reparação nas zonas afetadas pelas tempestades, a comissão junta a “falta de material circulante” por não ter sido assegurada “atempadamente a substituição inevitável de composições em fim de vida ou com necessidade de significativas modernizações”.

Queixas que têm levado à realização de ações de protesto, como uma vigília promovida em 21 de fevereiro, nas Caldas da Rainha, para exigir a reposição do serviço de transporte de passageiros em toda linha.

Face à ausência de resposta aos problemas, “está a ser equacionada a realização de mais uma ação de luta, em frente ao Ministério das Infraestruturas, em Lisboa, em data a definir brevemente”, disse à Lusa José Rui Raposo.

A Lusa questionou a Infraestruturas de Portugal mas ainda não obteve resposta.

A Linha do Oeste liga a estação de Agualva-Cacém, na Linha de Sintra, à estação de Figueira da Foz, no distrito de Coimbra.


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