Como é que aqui chegámos?
Chegámos aqui por algo que é imensurável neste momento, infelizmente, que há uns anos pensávamos que conseguíamos atrasar, se no mundo, naquilo que é a sua multilateralidade e capacidade de cooperar, pudéssemos tentar que a transição climática fosse um bocadinho menos radicalizada, menos acelerada. Mas agora chegámos à conclusão de que já não podemos só trabalhar na perspetiva do que é uma adaptação; nós estamos, da forma mais cruel, na mitigação do impacto. Não chega pensar que vamos conseguir tempo para adaptar de forma que a transformação climática não nos afete. Nós estamos na transformação climática, por isso temos que olhar para uma complexidade muito maior e, provavelmente, com um custo a pagar muito maior, que é trabalharmos como é que mitigamos e nos preparamos para que um acontecimento como este tenha menos impactos.
Paulo Fernandes: “Ninguém no país teve uma perceção da dimensão do desastre”
O coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País considera que há massa crítica para angariar mais recursos para a região e que o plano PTRR, por ser menos centralizado que outros programas semelhantes, abre mais oportunidades. Esclarecimentos que deu em entrevista ao diretor Francisco Rebelo dos Santos durante o evento “O Futuro Pós-Calamidade”