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Ruth Garcez: Tribunal homenageia a primeira mulher juíza no nosso país

A vila onde a magistrada judicial fixou residência e morreu há duas décadas vai homenagear uma “figura incontornável”.

Ruth Garcez radicou-se em Porto de Mós Foto de Arquivo

Foi em Porto de Mós que criou a Associação Portuguesa de Mulheres Juízes. Foi também aí que fixou residência. Ruth Garcez, a primeira mulher juíza em Portugal, será a figura central de uma iniciativa que decorre no Tribunal de Porto de Mós no próximo dia 29.

A vila onde a magistrada judicial fixou residência e morreu há duas décadas vai homenagear uma “figura incontornável”. É dessa forma que a magistrada judicial Ana Lídia de Oliveira Cadete, organizadora da iniciativa, descreve a homenageada.
Em concreto, “Retratos de um Tribunal” é o nome da exposição que encerra um tributo à primeira mulher a tornar-se juíza em Portugal: Ruth Garcez. “Conforme ela dizia, exercia, e muito bem, o seu direito à exuberância. Era muito próxima das comunidades locais e tinha também objetivos que apelidava de um sonho de justiça universal”, explica Ana Lídia de Oliveira Cadete, citada pela Lusa.

Por outro lado, a mostra visa enaltecer o trabalho dos oficiais de justiça, considerando ser “importante dar voz a esta classe profissional” e reconhecendo quem “ainda está” na carreira, ao mesmo tempo que inspira aqueles que pretendem ingressar nela, adiantou a juíza titular do Juízo Criminal de Porto de Mós.

Ana Lídia de Oliveira Cadete acrescentou que o projeto nasceu no âmbito do mestrado em Mediação Intercultural e Intervenção Social, que frequenta no Politécnico de Leiria, para “dar voz aos símbolos identitários das comunidades de Porto de Mós, da Batalha e de Leiria, onde se insere este Tribunal de Porto de Mós”.

A exposição, que ficará patente de forma permanente nos corredores do piso superior do edifício, pretende “retratar a vida de um tribunal” e o percurso profissional de Ruth Garcez, mas também “os seus sonhos, o envolvimento na comunidade local e na comunidade internacional, incluindo a sua atividade no fado e na poesia”.

Nascida em 1934, na cidade de Lourenço Marques (atual Maputo, capital de Moçambique), Ruth Garcez foi a primeira mulher a ingressar na magistratura judicial, depois de se licenciar em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1956.

Condecorada em 2005 por Jorge Sampaio, então Presidente da República, Ruth Garcez jubilou-se nesse mesmo ano. Residia em Porto de Mós, onde morreu a 10 de junho de 2006.


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