Tive a ocasião de ler o artigo de opinião de José Manuel Silva com a designação “Rabos de praia”. O artigo é caracterizado como uma “silly season” (temporada “tonta” ou “fútil”), o que revela que o autor entende o tema como algo passageiro e superficial, não como uma conquista profunda de direitos!
Nos dias atuais, é evidente que a emancipação feminina real exige mais do que a diminuição da roupa: exige que as mulheres sejam vistas como pessoas com dignidade, não como “Vénus” para o consumo visual, e que a autonomia corporal seja exercida livre de pressões de objetificação. A igualdade de género no Ocidente, portanto, não se resolve apenas com a liberdade de exibir o corpo, mas com a mudança na cultura de como esse corpo é percebido e respeitado.
Enquanto leitora, considerei o artigo um tanto irrefletido, redutor e simplista do ponto vista da emancipação feminina, dos direitos das mulheres e da igualdade de género pelas razões apresentadas.
Falta, a meu ver, a abordagem da emancipação da mulher, do ponto estrutural e profundo, e a cidadania é reduzida à disponibilidade visual e não baseou o discurso numa cidadania mais ativa e participativa, com um conjunto de mudanças que são desejáveis do ponto de vista profissional e pessoal, de conciliação dos variados papéis que as mulheres do século XXI assume.
Eu sei que o colunista, enquanto gestor educacional e professor, consegue fazer melhor no combate aos estereótipos e à perpetuação do preconceito contra as mulheres.
Aguardo o próximo artigo de opinião.
Leitora devidamente identificada