A evolução tecnológica nas escolas, os desafios da Inteligência Artificial (IA) e o futuro da educação estiveram em destaque na sessão plenária “25 anos de tecnologia, o que ganhamos e que esperanças ficaram por cumprir?”, integrada no XXV Encontro CCEMS (Centro de Competência entre Mar e Serra) TIC, que decorreu na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, do Instituto Politécnico de Leiria, no passado dia 10 de julho.
O momento foi moderado por Francisco Rebelo dos Santos, diretor do REGIÃO DE LEIRIA, e reuniu Jorge Edgar Brites, diretor do Agrupamento de Escolas de Marrazes, e Vítor Duarte Teodoro, professor associado da Universidade Lusófona de Lisboa, que partilharam a sua visão sobre as mudanças tecnológicas das últimas décadas e os desafios que continuam por responder.
Ao fazer um balanço dos últimos 25 anos, Jorge Edgar Brites recordou um dos primeiros computadores que chegou à escola, referindo que os equipamentos chegavam a estar presos com cadeados, numa realidade muito diferente da atual. Apesar de considerar o percurso positivo, destacou que o entusiasmo inicial dos professores pela tecnologia deu lugar a algum desgaste. “Havia uma enorme vontade de aprender e de perceber como pôr a máquina a trabalhar”, recordou, lamentando que, hoje, muitos docentes já não disponham do tempo necessário para conhecer e integrar as novas ferramentas.
Já Vítor Duarte Teodoro lembrou as dificuldades existentes no início dos anos 2000, quando o acesso à internet nas escolas era limitado, considerando que a tecnologia passou, entretanto, de novidade a utilidade. O docente refletiu ainda sobre a rápida evolução da IA, defendendo que esta será capaz de executar tarefas cada vez mais complexas, alterando profundamente a forma como se aprende e trabalha.
Para Jorge Edgar Brites, o maior desafio colocado pela IA é sobretudo pedagógico e não tecnológico, defendendo que a escola deve continuar a promover valores éticos, o respeito pela privacidade e o desenvolvimento do pensamento crítico. Já Vítor Duarte Teodoro explicou que utiliza ferramentas de IA na preparação das aulas, mas sublinhou que a responsabilidade pelos conteúdos produzidos continua sempre a ser do professor.
Durante o período de perguntas do público, o impacto da IA na criatividade, na escrita e na aprendizagem dos alunos dominou a discussão. Jorge Edgar Brites alertou que, se o trabalho cognitivo for sistematicamente delegado à tecnologia, dificilmente serão desenvolvidas capacidades críticas, defendendo o debate, a argumentação e a reflexão como competências essenciais. Já Vítor Duarte Teodoro apelou à manutenção da escrita, da explicação e da interação crítica com as ferramentas digitais, considerando que o desafio passa por ensinar os alunos a compreender os processos, e não apenas a obter respostas.
Na mensagem final, Jorge Edgar Brites deixou um apelo à proteção da privacidade de professores, alunos e famílias e ao uso moderado da tecnologia, privilegiando sempre as relações humanas.
BS com FRS (texto)