













Dezenas de polícias e guardas vão manifestar-se esta quinta-feira, em Leiria, para exigir o cumprimento do acordo assinado em 2024 para melhorar as condições remuneratórias nas duas forças policiais, bem como “a atualização imediata das tabelas remuneratórias” e “a alteração legislativa aos cortes de 30 a 40% nas pensões de reforma”.
O protesto, convocado pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) e pela Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), decorre a partir das 19h30, entre o Comando Distrital de Leiria da PSP e o largo da República, com os participantes vestidos de preto, em sinal de “luto pelo desrespeito aos direitos da classe”.
Os manifestantes concentraram-se pelas 17h30 junto ao Comando Distrital de Leiria, onde estava o representante do sindicato mas também o autarca Gonçalo Lopes, que prestaram declarações aos jornalistas.
Para as 19h30 está prevista a saída até ao edifício dos Paços do Concelho.
Realizada dois dias após uma reunião com o ministro da Administração Interna, que “terminou sem propostas concretas sobre a alteração do Estatuto Remuneratório e a revisão das carreiras”, segundo a APG/GNR, a iniciativa pretende ainda alertar para “a falta de meios e de efetivos” que “afeta diretamente a vida das populações”, e para “a exaustão de quem veste a farda tem de terminar”.
Num apelo à participação lançado esta quarta-feira, na sua página do Facebook, a ASPP alerta para o “ponto de rutura” a que chegou a segurança pública em Portugal. “A exaustão operacional, a escassez crónica de meios e o desrespeito contínuo pelos profissionais das forças de segurança colocam em causa a estabilidade do país e a proteção de todos os cidadãos”, salienta.
Já na petição pública online “Por um Portugal seguro para todos”, lançada a 10 de setembro e que recolheu até ao momento 2.130 assinaturas, a ASPP à tutela medidas para “garantir uma verdadeira
política de investimento na segurança pública”.
“Portugal enfrenta uma realidade que não pode continuar a ser ignorada: faltam polícias, faltam meios operacionais, existem insuficiências ao nível das viaturas, equipamentos e infraestruturas, e a carreira policial perdeu atratividade”, adianta, frisando que “esta realidade limita a capacidade de resposta da PSP e prejudica diretamente a segurança das populações”.
“A segurança dos cidadãos não pode depender do sacrifício dos polícias”, acrescenta, exigindo “uma mudança efetiva de paradigma político, com investimento na contratação e rejuvenescimento dos efetivos, na valorização das carreiras, nos vencimentos, promoções e progressões, nas condições de trabalho, nos equipamentos, viaturas e infraestruturas”.
Manifestação na véspera de reunião com MAI
Na segunda-feira, 28 de setembro, cerca de 200 polícias e guardas também se manifestaram no Porto, na véspera de novas reuniões com o ministro da Administração Interna para novas negociações sobre a reestruturação das carreiras e a organização do tempo de trabalho.
Partindo dos respetivos comandos metropolitanos, cerca de 100 agentes da PSP, alguns vestidos de negro, e outros tantos da GNR convergiram, ao final da tarde, para a avenida dos Aliados, numa marcha silenciosa, mas com as reivindicações expostas no cartazes que transportavam, noticiou a agência Lusa.
No lado da PSP, em dois dos três cartazes repetia-se a palavra “Cumpram” e no terceiro foi escrito “Por Todos”, enquanto do lado da GNR lia-se “Exigimos a revisão do sistema remuneratório já!” e “Não aos cortes ilegais na reforma”.
Cerca das 20 horas, depois das intervenções do líder da ASPP, Paulo Santos, e do presidente da APG/GNR, César Nogueira, foi cantado o hino nacional após o que se deu a desmobilização.
Um terceiro protesto está agendado para o dia 8 de outubro, em Lisboa, entre outras ações a decorrer noutras cidades.