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Seguro aproveita inaugurações em escolas de Leiria para apelar ao entendimento dos partidos: “Não digam que não é possível”

Presidente considerou “fantástico” o que observou em Leiria, declarando-se admirado com o contexto de multiculturalidade e de diversidade.

Presidente da República visitou Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, em Leiria, escola de vários alunos de dança

Foi com uma receção ruidosa que António José Seguro foi acolhido na manhã desta sexta-feira em Leiria, na Escola Secundária Afonso Lopes Vieira. Os gritos eufóricos dos alunos, que não se inibiram de solicitar selfies ao Presidente, ultrapassaram os 110 decibéis, mediu o REGIÃO DE LEIRIA, atingindo o equivalente ao som característico de um concerto de rock.

O Presidente da República, todavia, não ficou atrás e aproveitou o discurso na cerimónia de inauguração das obras de remodelação da escola – no valor de 5,5 milhões de euros – para deixar um ruidoso recado aos partidos políticos.

Fugindo ao discurso que trazia escrito, o Presidente sublinhou a necessidade de coesão social, instando os partidos a colaborar no sentido de a garantir. “Não conseguimos avançar como país se não tivermos coesão social entre nós se uma parte da nossa população, pode ser minoritária, mas é uma parte de nós, seres humanos, não tiver acesso à saúde a tempo e horas, não tiver acesso a uma habitação, não tiver, no fundo, as condições essenciais”.

Declarando-se admirado com o contexto de multiculturalidade e de diversidade da escola de Leiria – que conta com alunos de 28 nacionalidades –, António José Seguro aproveitou o exemplo que testemunhou no terreno, de inclusão e respeito pelo outro, para afirmar a convicção de que a coesão é essencial também para o país. “Não me digam que não é possível”, enfatizou.

Focando-se no tema que tem mobilizado o recente debate político, o Presidente apontou para as dificuldades no acesso à habitação. “Quando olho para os resultados e vejo que em Portugal, em média, os jovens saem de casa dos seus pais aos 30 anos, estão a adiar, não é só o problema de não terem uma casa para si, estão a adiar o seu futuro, o seu projeto de vida, a sua autonomia”.

António José Seguro aproveitou a ocasião para deixar um recado direto aos partidos, em jeito de pergunta retórica lançada à audiência: “Então não é responsabilidade dos partidos políticos, do Parlamento, dos governos, contribuírem com soluções em conjunto para resolver essa situação?”.

Reconhecendo que “vivemos em tempos de fragmentação”, Seguro garantiu: “Vou continuar sempre a exigir que possa haver condições entre os partidos para encontrarem soluções, para resolverem problemas que possam contribuir para reforçar a nossa coesão social”.

Na cerimónia, Gonçalo Lopes enfatizou o esforço já despendido para valorizar o parque escolar do concelho, reforçando as suas condições e a resiliência depois do embate da tempestade Kristin. “Já efetuámos obras em 110 escolas e vamos continuar a investir. Os danos atingiram também outros equipamentos de serviço público. Estamos a investir na sua recuperação com o objetivo claro: não nos limitaremos a repor o que existia. Queremos torná-las mais seguras e mais resilientes”.

Antes, Matilde Matias, presidente da Associação de Estudantes, tinha lembrado que “durante muito tempo, vivemos e estudámos com infraestruturas bastante desgastadas e com grandes necessidades de manutenção”. Com as instalações “completamente renovadas, a nossa escola ganha finalmente a dignidade e a excelência que sempre mereceu. Temos agora espaços modernos, perfeitamente preparados para dar asas ao talento, à criatividade e ao futuro dos nossos jovens”. Celeste Frazão, diretora da Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, sublinhou a diversidade de projetos da escola, salientando que “não se define apenas pelos seus edifícios, mas sim pelas relações que estabelece e pelas oportunidades que cria”.

A deslocação desta manhã a Leiria do Presidente da República incluiu igualmente a visita à Escola Profissional de Leiria, onde inaugurou dois centros tecnológicos especializados, nas áreas industrial e de informática, no valor de 2,7 milhões de euros. Gonçalo Lopes explicou que a essa verba se somam “500 mil euros para reparar os danos causados pela tempestade”.


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