Além dos danos em património público e privado, as tempestades e inundações das últimas semanas deixam também marcas emocionais que não devem ser descuradas. Para ajudar a população afetada por estes eventos meteorológicos, a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), em conjunto com outras entidades, lançou o guia prático “Como recuperar emocionalmente em situações de tempestade e inundações?”.
Segundo a OPP, numa fase inicial é normal sentir medo e a necessidade de direcionar todas as forças para tentar sobreviver os salvar os pertences.
“Numa fase posterior, após o período de maior chuva, vento ou inundações, é natural sentirmos medo do que o futuro nos reserva, ficarmos em choque e sentirmo-nos incapazes de reagir”, explica, em comunicado. E acrescenta: “Podemos, também, sentir tristeza ou raiva e um sentimento de injustiça de vermos a nossa segurança e aquilo que construímos ao longo do tempo ter sido danificado ou levado pela água ou pela força do vento”.
No guia agora lançado, constam algumas recomendações gerais para lidar com estas emoções, como aceitar o impacto emocional destes fenómenos. “Sentir emoções intensas é uma parte da resposta natural a tempestades e inundações. Por muito dolorosas que sejam, para que diminuam, é preferível expressá-las, em vez de as ignorar ou evitar”, adianta a OPP.
Também falar sobre o que se sente ou resistir à vontade de resolver tudo sozinhos e de uma vez está entre as recomendações, tal como gerir a visualização de notícias sobre inundações e tempestades e restabelecer comportamentos de autocuidado.
O guia, que pode ser encontrado na página de internet da OPP, inclui também recomendações para crianças (Serviço de Aconselhamento do SNS24: 808 24 24 24).
Municípios oferecem apoio psicológico
Em alguns dos concelhos mais afetados pela tempestade Kristin os Municípios criaram gabinetes de apoio psicológico.
Nos primeiros dias do mês, a Câmara de Leiria passou a disponibilizar, além de apoio social, também psicológico.
Na ocasião, Ana Valentim, que tem o pelouro do Desenvolvimento Social, disse à agência Lusa que “as pessoas estão numa grande fragilidade psicológica e precisam de algum apoio”, pelo que a autarquia “tem uma equipa de duas psicólogas que irá estar disponível todos os dias para fazer esse atendimento”.
Inicialmente, o apoio acontecia nos Paços do Concelho, mas foi agora deslocado para o Gabinete “Reerguer Leiria”, instalado no Mercado de Santana.
Já na terça-feira, dia 10, o Município anunciou o arranque do programa “Abraços que Cuidam”, que vai levar uma equipa de apoio psicológico a escolas do pré-escolar e do 1.º ciclo do concelho, num total de 118 turmas. A equipa integra 12 técnicos das áreas da psicologia, terapia da fala, mediação socioeducativa e nutrição.
Na Marinha Grande, a autarquia destacou três psicólogas para integrarem equipas de visitas domiciliárias em casos considerados prioritários e no Edifício da Resinagem, no Gabinete de Apoio à População, há também uma equipa de psicólogos para apoio imediato (das 9 às 18 horas).
Está ainda a decorrer uma ação de intervenção psicológica nas Zonas de Concentração e Apoio à População, “com população especialmente vulnerável que ficou desalojada na sequência da tempestade Kristin”.
Também na Batalha foi disponibilizado um serviço de apoio psicológico. Os interessados devem ligar para a Câmara Municipal (244 769 110) ou para a UCC da Batalha (244 7699 22) e, posteriormente, serão contactados para o agendamento da consulta.
Em Pombal, a autarquia criou uma linha de apoio psicológico (236 210 582), disponível das 9 horas às 17h30