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Deputados eleitos por Leiria dividem-se entre crítica, defesa do Governo e exigência de apoios a fundo perdido

O que estão a fazer os deputados do círculo eleitoral de Leiria na sequência da depressão Kristin?

FOTO: Joaquim Dâmaso

As respostas políticas à tempestade Kristin dividiram os deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Leiria, com PSD, Chega e PS a apresentarem avaliações distintas sobre a atuação do Governo e as soluções a adotar.

Os deputados do PSD pelo distrito de Leiria, na voz de Hugo Oliveira, destacam a sua atuação imediata no terreno.

Logo a 29 de janeiro, “foi dado um sinal político claro com a representação”, na Assembleia da República, de um Projeto de Resolução que recomendou ao Governo o acompanhamento permanente no terreno e uma avaliação rigorosa dos prejuízos.

O presidente da distrital de Leiria do PSD considera que “o Governo esteve à altura da emergência”, destacando as medidas aprovadas em Conselho de Ministros extraordinário a 1 de fevereiro, entre as quais apoios à reconstrução da habitação própria e permanente, “incluindo sem cobertura de seguro”, apoios à agricultura e à floresta e medidas sociais dirigidas às famílias e às instituições particulares de solidariedade social.

No plano económico, o deputado destaca as isenções temporárias de contribuições para a Segurança Social, um regime simplificado de lay-off e linhas de crédito para tesouraria e recuperação empresarial, num valor superior a 2,5 mil milhões de euros.

“As medidas têm de ser executadas com rapidez, simplicidade e eficácia, sem entraves burocráticos nem atrasos injustificados”, afiança. Quanto à prevenção futura, o também vereador da Câmara de Caldas da Rainha defende respostas estruturais, em particular na área da energia. A falha prolongada no fornecimento elétrico revelou “limitações sérias” da rede, defendendo uma maior autonomia energética para instituições públicas, sociais e de saúde.

Já o Chega centra o discurso na crítica à atuação autárquica e na defesa de medidas de apoio direto às populações e empresas. Luís Paulo Fernandes, deputado à Assembleia da República, afirma que os eleitos do partido estiveram no terreno, tendo sido “ativado o canal de comunicação com autarcas e freguesias” e acompanhada a entrega de donativos.

Luís Paulo Fernandes, que é igualmente vereador na Câmara de Leiria, critica a atuação do executivo municipal, censurando que “a primeira medida tenha sido limpar o estádio” e manifestando “indignação” pelo facto de os vereadores da oposição não terem sido integrados no gabinete de crise.

No plano das propostas, o Chega defendeu a isenção de portagens no distrito, bem como a isenção de IMI para imóveis “gravemente afetados” e a isenção de taxas de água e saneamento nas zonas mais atingidas.

Quanto ao apoio às empresas, insiste que “os apoios não podem contemplar só créditos”, defendendo uma componente “a fundo perdido”, sobretudo para proteger microempresas familiares. Luís Paulo Fernandes alerta ainda para a necessidade de uma “resolução urgente” das instalações dos agentes da Proteção Civil que ficaram sem condições dignas.

Já Eurico Brilhante Dias, deputado por Leiria e líder parlamentar do PS, que juntamente com Catarina Louro acompanhou “em permanência” os municípios afetados e visitou todos os concelhos do distrito, considera que “aquilo que o Governo tem feito é insuficiente”.

O PS alerta que, embora tenham monitorizado a situação no terreno, continuam a ser necessárias medidas urgentes e estruturais para proteger pessoas, empresas e infraestruturas. Uma das principais críticas prende-se com a gestão da emergência nacional: o Governo “esteve particularmente mal” ao não ativar de imediato o Plano Nacional de Emergência e Proteção Civil e ao não reunir a Comissão Nacional de Emergência atempadamente.

“Isso impediu uma adequada mobilização, em particular dos militares”, acrescenta, referindo-se ao exército e à marinha. O PS aponta também falhas persistentes nas áreas da eletricidade e das comunicações, com “milhares de pessoas isoladas”, e critica a limitação temporal da isenção de portagens, considerando-a “absolutamente débil”.

O deputado defende ainda apoios empresariais “a fundo perdido” e medidas estruturais para proteger o emprego no médio e longo prazo, lembrando que Leiria é “um dos principais motores exportadores da economia nacional”.

Para a reconstrução, o PS estima que será necessário um investimento “muito perto dos 5 mil milhões de euros”, abrangendo habitação, empresas, floresta e serviços essenciais.


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