A Assembleia Municipal da Marinha Grande repudiou hoje a “inaceitável” demora da E-Redes na reposição do fornecimento de eletricidade às populações do concelho e exigiu a sua integral e urgente reposição.
A Assembleia Municipal (AM) da Marinha Grande “manifesta o seu veemente repúdio face à inaceitavel demora da E-Redes na reposição do fornecimento” de energia no concelho, em que 11% da população permanece sem eletricidade, lê-se, na nota, aprovada na sexta-feira.
“À data de 12 de fevereiro de 2026, segundo dados oficialmente disponibilizados pela própria E-Redes, 11% da população da Marinha Grande permanece sem energia elétrica, situação que se prolonga muito para além do razoável e do admissível”, refere.
A E-Redes informou hoje que na zona mais crítica, às 8 horas, cerca de 19 mil clientes estavam sem energia e que no total do território continental o número ascendia a 31 mil clientes.
Na nota de repúdio, a Assembleia Municipal da Marinha Grande considera que, apesar do esforço dos trabalhadores no terreno, a ausência de estratégia na gestão, impede uma previsão concreta e fiável para a reposição total do serviço, constituindo “uma falha grave, que tem gerado um sentimento generalizado de insegurança, frustração e injustiça entre a população afetada”.
“Famílias, idosos, trabalhadores e empresas continuam impedidos de retomar a normalidade das suas rotinas, registando-se prejuízos significativos que não podem ser desvalorizados”, lê-se no documento.
A Assembleia Municipal da Marinha Grande solicita ainda à E-Redes a apresentação de um relatório detalhado sobre “as causas da falha, os constrangimentos existentes e as medidas de prevenção futura”.
Campanha “Ajude-nos a ajudar”
Entretanto, a Câmara Municipal da Marinha Grande lançou hoje uma campanha para identificação de pessoas em situação de vulnerabilidade social ou de saúde.
“A iniciativa integra o esforço mais amplo de resposta à tempestade Kristin, evidenciando a importância da solidariedade e da cooperação comunitária como complemento às ações operacionais no terreno”, anunciou a autarquia, em comunicado.
Intitulada “Ajude-nos a ajudar”, a campanha apela à participação da comunidade na identificação de pessoas em situação de vulnerabilidade social ou de saúde para que o município garanta “que ninguém fica sem apoio, neste momento particularmente exigente para o concelho”.
Qualquer cidadão que conheça vizinhos, familiares ou outras pessoas que necessitem de apoio, deve comunicar essa informação à Câmara Municipal, de forma presencial, no Edifício da Resinagem (entre as 9 horas e as 17 horas), ou através do número 912 482 262.
Apelo a voluntários especializados
O município da Marinha Grande apelou também hoje à mobilização de voluntários especializados para apoiar na reconstrução das habitações afetadas, com destaque para pedreiros, eletricistas, canalizadores e arboristas.
“Este reforço técnico é essencial para garantir uma resposta rápida e eficaz às famílias que necessitam de intervenção urgente nas suas casas”, sustentou esta tarde a autarquia, em comunicado.
Os profissionais e voluntários disponíveis devem dirigir-se ao Estaleiro Municipal, na Rua do Matadouro, onde está centralizada a coordenação dos trabalhos e a distribuição das equipas no terreno.
No comunicado, o município “agradece profundamente a solidariedade que o país tem manifestado desde o início da situação de emergência, reconhecendo o papel fundamental de todos os que já têm colaborado no apoio às populações e nos trabalhos de recuperação”.