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Câmara de Leiria anuncia prejuízos de 243 milhões em equipamentos municipais e 1.000 milhões no concelho

Castelo de Leiria, onde Gonçalo Lopes apresentou o balanço dos prejuízos, é o espaço com o custo estimado mais elevado, 10 milhões de euros. Cinco escolas do parque escolar terão prioridade.

Foi no Castelo de Leiria, rodeado de árvores cortadas, que Gonçalo Lopes apresentou hoje o valor dos prejuízos em equipamentos municipais causados pelo mau tempo. O custo estimado no caso do monumento é de 10 milhões de euros, o mais elevado em edifícios, mas o total ascende a 243 milhões de euros.

Segundo o presidente da Câmara de Leiria, “este montante, que é um dos principais desafios para os próximos anos, obriga a um esforço coletivo”, resultado de “uma catástrofe ao nível daquelas que já se registaram na Europa nos últimos anos”, dando como exemplo o caso de Valência (Espanha).

Contudo, o valor, indicou, será bem superior, na ordem dos 1.000 milhões de euros, se forem contabilizados os danos nas habitações, empresas ou na área florestal. “O impacto real no território é significativamente superior. (…) Juntando este levantamento, que não tem a floresta, e o outro que já tínhamos anunciado, podemos estar a falar de um prejuízo na ordem dos mil milhões de euros”, afirmou.

Na lista dos equipamentos municipais afetados, que totaliza os 193,4 milhões de euros, a rede viária municipal absorve a maior fatia – 85,5 milhões de euros – seguida dos edifícios e construções municipais, com 75,2 milhões de euros, onde se destacam cinco escolas de 2º e 3º ciclo. Além de Marrazes (8 milhões) e Maceira (7M), foram referidas os estabelecimentos de ensino de Colmeias (5,2M), Caranguejeira (5M) e Santa Catarina da Serra (3M).

“Há uma preocupação muito importante com o parque escolar. É uma das nossas prioridades. As obras têm de começar rápido. Algumas destas escolas já estavam classificadas como prioridade e agora passaram a ser muito, muito prioritárias. Tem de ser um investimento que transforme o parque escolar em escolas que aguentam tempestades”, adiantou.

Além disso, “todas as intervenções nas vias municipais, aquelas que estão a afetar a circulação diária, vão ser intervencionadas também com prioridade”.

Gonçalo Lopes reconheceu que há muitas intervenções que vão ser realizadas com prioridade, como é o caso das vias municipais que estão a afetar a circulação diária (estradas e pontes), enquanto outras “vão demorar anos”, como é o caso da replantação da cidade. Nesse sentido, Gonçalo Lopes revelou que espera poder apresentar o jardim Luís de Camões com árvores no próximo Dia de Portugal, a 10 de junho.

“A paisagem de Leiria hoje é uma paisagem destruída. Um dos maiores desafios do Município, nos próximos anos, será a replantação de uma cidade que tinha árvores centenárias e, hoje, são poucas aquelas que ficaram de pé. Isto é um grande desafio para quem é de Leiria, para quem estava habituado a ter uma cidade com árvores. Temos de nos adaptar a uma nova paisagem”, disse.

Os valores apresentados referem-se à estimativa elaborada com o custo da reposição de infraestruturas públicas e coletivas, que incidem sobre equipamentos e infraestruturas da responsabilidade do Município, mas também os equipamentos das coletividades, IPSS e também património religioso e infraestruturas do Estado localizadas no território.

“O impacto é de 243.037.176,18 euros e vem confirmar que Leiria ficou no epicentro desta tragédia”, disse.

Os prejuízos no estádio municipal Dr. Magalhães Pessoa rondam os 4,5 milhões, a plantação de árvores em via pública os 3,3 milhões e a manutenção e conservação de espaços verdes 3,1 milhões.

Dos investimentos já efetuados no período de calamidade, o Município de Leiria gastou 13,3 milhões de euros, dos quais 9,2 milhões correspondem a tarefas de limpeza e desobstrução de vias, intervenção de emergência em escolas e centros de saúde e reparação de telhados.

“Estamos a entrar na etapa da reconstrução e da transformação. O que aconteceu em Leiria deve servir de exemplo para construir um território resiliente, capaz de aguentar tempestades e outro tipo de catástrofes”, disse, considerando que o “peso [dos prejuízos] é muito superior ao orçamento da autarquia [180 milhões de euros]”, mas que o Município fará um empréstimo para suportar algumas despesas. “Não vamos parar, mas se for necessário contrair empréstimo, assim o vamos fazer”, concluíu.

PTRR deve olhar para os territórios com ponderação e proporcionalidade

Questionado pelos jornalistas sobre quando perspetiva receber os apoios do Governo, o autarca afirmou que não consegue responder a essa pergunta, referindo que “foi várias vezes anunciado que há 150 milhões de euros disponíveis na CCDR Centro, portanto, estão lá depositados e irão ser distribuídos pelos municípios, eventualmente num sinal de adiantamento”.

O presidente da Câmara de Leiria apelou para que o processo do PTRR seja “transparente” e tenha “proporcionalidade”: “A única coisa que pedimos é que o processo seja transparente, e que haja uma proporcionalidade. O PTRR, que é um grande desafio, deve olhar para os territórios de uma maneira onde exista não só um critério claro, objetivo, mas que haja uma ponderação e, sobretudo, uma proporcionalidade”.

O Município de Leiria tem uma capacidade de endividamento bancário de cerca de 115 milhões de euros, acrescentou.

“O Município de Leiria tem capacidade financeira, é um município robusto, felizmente tem as contas em ordem, mas há outros municípios mais pequenos, cujos orçamentos são muito baixos, e eles estão com problemas de tesouraria”, adiantou, ao referir que a atual dívida bancária da Câmara é 7 milhões de euros, referentes ao empréstimo realizado para o estádio de Leiria, no Euro2004.

Para o autarca, o “Estado português deveria rapidamente distribuir algum desse montante pelas autarquias, de modo a conseguir reforçar a sua capacidade de intervenção e de pagar as dívidas assumidas nas últimas semanas”.

Com Lusa


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