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Brigada do Mar remove lixo das praias e alerta para recuo da costa

Entre os materiais identificados destacam-se grandes conjuntos de cabos, redes e mais de 700 alcatruzes, elementos habitualmente utilizados na captura de polvo.

FOTO: Brigada do Mar

A Brigada do Mar realizou a segunda ação de descontaminação e avaliação ambiental na sequência das recentes tempestades que atingiram o território nacional, com particular incidência no litoral centro, entre os dias 12 e 15 de março.

A intervenção, que contou com o apoio da Câmara de Pombal, decorreu a partir do Osso da Baleia, ao longo da faixa costeira a partir de São Pedro de Moel, a sul, e a Leirosa, a norte, uma das zonas mais afetadas pelos fenómenos meteorológicos extremos associados à depressão Kristin.

A operação, que se prolongou por quatro dias consecutivos de trabalho intensivo, com cinco voluntários no terreno, resultou na recolha de cerca de sete toneladas de resíduos.

De acordo com a organização não-governamental de ambiente (ONGA), cerca de 80% dos resíduos recolhidos estão diretamente associados à atividade marítima e piscatória.

Entre os materiais identificados destacam-se grandes conjuntos de cabos, redes e mais de 700 alcatruzes, elementos habitualmente utilizados na captura de polvo.

A quantidade e tipologia dos resíduos evidenciam o impacto continuado destas atividades na poluição marinha e na degradação dos ecossistemas costeiros.

Para além da componente de limpeza, a ação permitiu proceder a uma avaliação detalhada das alterações morfológicas da costa provocadas pela tempestade. Os dados recolhidos no terreno confirmam um cenário de erosão acentuada, com abatimento generalizado da linha dunar, desaparecimento de sistemas dunares em vários troços e uma perda significativa de sedimentos.

Em diversos pontos, registou-se um recuo da linha de costa na ordem dos 15 metros, um valor considerado preocupante pelos técnicos envolvidos. Esta regressão expõe a faixa litoral a uma maior vulnerabilidade face a futuros eventos extremos, aumentando o risco de galgamentos oceânicos e comprometendo a estabilidade dos ecossistemas naturais.

“O que hoje vemos nesta faixa costeira não é apenas lixo acumulado, é um território em transformação acelerada. A erosão está a apagar dunas e a fazer recuar a costa a um ritmo preocupante. O apoio do Município de Pombal foi essencial nesta ação para conseguirmos intervir e documentar esta realidade no terreno”, sublinha Simão Acciaiolli, responsável da Brigada do Mar, em comunicado.

A associação alerta que este tipo de fenómenos tenderá a intensificar-se no contexto das alterações climáticas, reforçando a necessidade de uma estratégia integrada de proteção costeira. Entre as medidas defendidas estão a continuidade das ações de limpeza, a recuperação de sistemas dunares através da plantação de espécies autóctones, a monitorização permanente da linha de costa e o reforço da sensibilização ambiental junto das comunidades.