O Agromuseu Municipal D. Julinha, na Ortigosa, em Leiria, quer ser a âncora da marca “Norte de Leiria”, que junta oito freguesias do concelho, revelou hoje o presidente daquela Junta de Freguesia.
Instalado na antiga Casa Agrícola Pereira Alves de Matos Carreira, uma das grandes casas agrícolas da região desde os finais do século XIX e referência da história rural local, o Agromuseu “é a identidade do norte de Leiria”, considerou Américo Coelho.
Adaptado a museu após a doação da benemérita Maria Leonilde Carreira, conhecida como “D. Julinha”, abriu ao público em 2003.
Mas o facto de ter sido “criado e gerido pelo município” contribuiu, segundo o presidente da Junta, para “um afastamento do Agromuseu em relação à freguesia e a população”.
Atualmente, Junta e Município procuram inverter essa situação, explicou Américo Coelho. Com nova coordenação, o Agromuseu acaba de lançar um projeto de valorização do património cultural da Ortigosa.
A iniciativa envolve o museu rural, a Junta de Freguesia, mas também o Rancho Folclórico Flores da Primavera e a associação de solidariedade social Samvipaz, ambos da Ortigosa.
Em conjunto, vão promover “Ortigosa: Histórias, Tradições e Memórias”, projeto que tem como objetivo preservar e valorizar as práticas culturais e tradições da comunidade local, envolvendo a população nesse esforço.
O plano prevê a recolha de histórias, objetos, fotografias e relatos dos membros da comunidade, que serão compartilhados em sessões participativas.
A par disso, serão realizadas gravações de entrevistas, com a seleção dos materiais recolhidos para a produção e montagem de uma exposição.
A intenção é estabelecer “uma ponte para se ligar o Agromuseu e a população” e, “de um modo mais abrangente, ligá-lo ao norte do concelho de Leiria”.
“O Agromuseu pode ser a âncora deste projeto Norte de Leiria”, disse o autarca, referindo-se à marca criada pelo projeto CLDS (Contratos Locais de Desenvolvimento Social de 5.ª Geração) 5G Leiria Norte – “Sentir o Território”.
Envolvendo as freguesias de Bajouca, Coimbrão, Monte Real e Carvide, Monte Redondo, Carreira, Ortigosa e Souto da Carpalhosa, “Sentir o Território” foi lançado para contribuir para o desenvolvimento social, capacitação comunitária e intervenção em contextos de emergência social e cenários de exceção.
Américo Coelho revelou esperar que, “no fim do projeto, a âncora deste ‘Norte de Leiria’ seja o Agromuseu, porque tem condições para isso”.
Entretanto, a Junta de Freguesia da Ortigosa prepara, com o município de Leiria, uma intervenção para melhorar a visibilidade e estacionamento e aumentar a capacidade de atração do espaço.
“Vamos, com a Câmara de Leiria, comprar uma casa que está em frente ao Agromuseu, sem valor patrimonial, para a demolir e criar ali um mercado de produtos agrícolas”.
Segundo o presidente da Junta, isso vai permitir que o museu “seja visto da Estrada Nacional 109, onde passam milhares de carros por dia”, criar lugares de estacionamento e iniciar um mercado para os agricultores locais escoarem a produção.
“Temos o acordo do presidente da Câmara para concluir esse projeto. A tempestade Kristin implicou à Câmara de Leiria gastar milhões de euros e alguns projetos terão de ser adiados. Mas acredito que, até ao fim do mandato, vamos concretizá-lo”, concluiu.