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Este artigo foi escrito e enviado por uma escola à redação do REGIÃO DE LEIRIA

De Pombal para o mundo: conhece o Observatório de Leitura?

Adriana e Iara entrevistam Daniela Martins, coordenadora da Biblioteca Municipal de Pombal, para falar do Observatório de Leitura.

Adriana e Iara – Boa tarde! Obrigada por nos ter recebido. Sabemos que o Município de Pombal e a sua Biblioteca Municipal têm feito um notável percurso na área da literatura infantojuvenil, nomeadamente com os Caminhos de Leitura. Pode falar-nos um pouco desse percurso?

Daniela Martins – Há já 24 anos que promovemos, o Município e a Biblioteca, um encontro relacionado com a Literatura Infantojuvenil, destinado a profissionais da área da Educação e das Bibliotecas. Quando começámos, chamava-se “Carreirinho de letrinhas em direção à palavra” e pretendia dar ferramentas para divulgar a Literatura infantojuvenil junto dos mais novos, aproximá-los dos livros, criar leitores. Fomos fazendo um caminho consistente, que ganhou uma certa notoriedade. Mais tarde passou a chamar-se Caminhos de Leitura.

A. e I.- Qual é a relação, então, entre os Caminhos de Leitura e o Observatório de Leitura?

D.M.- O Observatório nasceu com a celebração dos 20 anos de Caminhos de Leitura. Durante este tempo, aproximámos muita gente de Pombal, fizemos muitas amizades com pessoas que se dedicam a esta área, escritores, ilustradores, contadores de histórias, editores, não só de Portugal, mas de outros países, principalmente do Brasil. Para assinalar a data capitalizámos essa rede de contactos e criámos o Observatório de Leitura. Era o passo óbvio a dar, na verdade. Um desejo de fazer mais, uma vontade de aproximar a leitura das crianças e dos jovens, mas dando um cunho especializado, com pessoas que estudam a Literatura Infantojuvenil, que fazem disso a sua vida e que estariam disponíveis para constituir este grupo.

A. e I – É um grupo vasto, certamente. Quem faz parte desse grupo?

D.M – É constituído por dez especialistas, pessoas de várias áreas, desde mediadores de leitura professores universitários, há uma jornalista especialista nesta área, enfim, um grupo que trabalha a Literatura Infantojuvenil em diferentes dimensões.

A. e I – Num projeto desta dimensão, o Município/Biblioteca fez parcerias?

D.M – Sim! Com várias entidades nacionais, nomeadamente DGLAB (Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas), a RBE (Rede de Bibliotecas Escolares), o CIEC da Universidade do Minho (Centro de Investigação em Estudos da Criança). Internacionalmente, com a PUC do Rio de Janeiro (Pontifícia Universidade Católica), que atribui o Selo Cátedra 10 aos melhores livros de Literatura Infantojuvenil do Brasil. Inspirámo-nos neste conceito  para os nossos Selos Caminhos de Leitura.

A. e I – Depois de reunido, que trabalho é que o grupo desenvolve?

D.M – O grupo parte de toda a produção literária existente nesta área, e que tem vindo a crescer ano após ano! Temos um regulamento, enviamos um convite às editoras portuguesas para nos fazerem chegar cinco exemplares do livro que querem propor. Os especialistas do Observatório procedem à avaliação, de modo a atribuir os selos “Distinção”, “Seleção” e “António Torrado – Menção Honrosa”. Trata-se, no fundo, de um selo de qualidade. Isso é muito importante para valorizar as obras, dar uma orientação aos educadores e até ao público em geral sobre quais são as linhas editoriais, quais os livros que estão em sintonia com o que se pretende nesta área da Literatura Infantojuvenil no século XXI. São distinções que são já uma referência.

A. e I – Pode explicar-nos melhor em que consistem esses três selos de que falou?

D.M -Os selos Distinção premeiam os 10 livros de melhor qualidade relativa à edição, texto e ilustração, publicados em português. Posteriormente são enviados para a PUC do Rio de Janeiro para que sejam avaliados e distinguidos com o selo Lusofonia Além-Mar. Em Portugal recebemos os livros do selo Distinção do Brasil para, após avaliação, ser atribuído pelo Observatório o selo Brasil aos melhores.  Esta parceria expande substancialmente as oportunidades de publicação e aumenta o público leitor. É excelente para ambas as partes.

A. e I – Isso é uma verdadeira ponte literária sobre o Atlântico!

D.M – É mesmo! Quanto à Menção Honrosa, ela tem o nome “António Torrado”. Este escritor era um grande amigo de Pombal, foi um autor convidado muitas vezes para os Caminhos de Leitura e decidimos prestar-lhe esta homenagem. O selo António Torrado é atribuído àquele que for considerado o melhor livro, o que, entre outros possíveis aspetos, alia a melhor escrita, ilustração e uma edição de qualidade superior.

A. e I – Como se processa a divulgação dos livros selecionados pelo Observatório de Leitura?

D.M – Divulgamos no dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Mais tarde, na Feira do Livro de Lisboa, realiza-se uma cerimónia protocolar, que acaba por dar grande visibilidade aos livros vencedores.

A. e I – Este ano, demos conta de algo novo: a participação de Portugal na atribuição do Prémio Hans Christian Andersen. De que modo o Observatório de Leitura contribuiu para este passo internacional?

D.M – Primeiro temos de falar do IBBY (International Board on Books for Young People), que tem 85 secções espalhadas pelo mundo. Eles atribuem o Prémio Hans Christian Andersen, o maior prémio mundial na área da Literatura Infantojuvenil. Há alguns anos que Portugal não tinha representação, mas agora o Observatório de Leitura constituiu-se como a secção IBBY Portugal. O ano passado já candidatámos uma autora e uma ilustradora: Alice Vieira e Teresa Lima. Não ganharam, mas a Teresa Lima foi recomendada pelo júri desse prémio como uma ilustradora a não perder de vista.

A. e I – A literatura infantojuvenil está, pois, bem protegida aqui em Pombal, pronta a enfrentar os desafios do futuro.

Adriana Pereira e Iara Santos, 2.º ano do curso Técnico de Comunicação e Marketing, do Agrupamento de Escolas de Pombal (AEP).

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