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PSP de Leiria volta a pedir mais efetivos em dia de aniversário

Comandante distrital alertou para a saída de 15 polícias este ano e 24 no próximo ano, sem que esteja garantida a sua substituição.

Cerimónia comemorativa do 152º aniversário da PSP de Leiria decorreu na Marinha Grande FOTO: Joaquim Dâmaso

No 152.º aniversário da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Leiria, o comandante distrital destacou a redução de recursos humanos e voltou a pedir um reforço de efetivos.

Na cerimónia realizada esta quarta-feira, na Marinha Grande, Domingos Urbano Antunes constatou que, nos últimos cinco anos, a criminalidade geral e violenta e grave apresenta “uma tendência para aumentar, enquanto os crimes de proatividade policial mostram uma tendência para diminuir, cujo resultado redunda na contínua redução de efetivos, por oposição ao aumento do número de ocorrências diário”.

O comandante distrital sublinhou que “Com menos efetivos e mais ocorrências, os tempos de espera aumentam”, sublinhou o responsável, ao apontar o exemplo da sinistralidade rodoviária, “que implica longos tempos de espera nos locais com manifestos constrangimentos para a mobilidade”.

“Nesta área é urgente um salto tecnológico que permita o registo do sinistro de forma célere a fim de mitigar a excessiva carga burocrática. Num tempo tecnológico, continuamos a participar acidentes rodoviários como há décadas. É urgente esta transição digital para tornar o trabalho policial mais eficiente e mais qualificado”, reforçou.

Apesar da “manifesta falta de recursos humanos”, o superintendente garantiu que o comando tem procurado honrar os compromissos, “assegurando 532 policiamentos desportivos e 116 de natureza diversa, cultural, social e religiosa”.

Tal encargo operacional só foi possível “com recurso a despachos excecionais, de limitação de folgas e até de férias” e “aquilo que seria de caráter excecional tem vindo a tornar-se a normalidade”.

Revelou ainda que 15 polícias vão sair este ano para a pré-aposentação e mais 24 no próximo ano, “e não estão a ser substituídos”.

Para fazer face a estas contingências, o comandante efetuou reformas nas diferentes valências operacionais, procurando concentrar serviços, através da partilha de meios humanos.

“Primeiros a sair para a rua”

Domingos Urbano Antunes não esqueceu o trabalho de todos os profissionais do Comando da PSP de Leiria na tempestade Kristin, destacando a entrega de todos.

“Fomos uma grande equipa, fomos fabulosos na resposta. É nestes momentos de risco acrescido que se põe à prova a capacidade das instituições, das lideranças e o caráter dos polícias na missão de cuidar, zelar e proteger os outros”, observou.

E, “mesmo sofrendo adversidades graves”, como o colapso da cobertura do centro de comando e controle, que o tornou inoperacional, danos nas camaratas, como sucedeu na esquadra da Marinha Grande, Domingos Urbano Antunes recordou que foram os “primeiros a sair para a rua” e à primeira hora da manhã já tinham chamado o Corpo de Intervenção.

“Agradeço muito à Lusa, a primeira entrevista que foi dada publicamente, fui eu quase aos gritos a dizer às pessoas: ‘não saiam de casa’, porque estava a temer que fosse uma catástrofe. Por isso mesmo, estou muito grato à comunicação social”, disse.

Domingos Urbano Antunes acrescentou que, “pelas 5h15 da manhã, ainda de noite, sem comunicações”, pediu ao carro-patrulha para ir para a rua, “quando toda a destruição era desconhecida”.

“Nesse momento percebemos a importância de possuir uma polícia urbana forte e destemida”, adiantou, ao referir que foi possível “compensar as fragilidades com recurso a reforços de vários comandos, quer humanos quer materiais, e com a introdução de tecnologia através da instalação de videovigilância direcionada aos geradores elétricos”.

Perante o secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, e do diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, o comandante alertou para o estado dos edifícios, sobretudo de Leiria e da Marinha Grande, este com “graves infiltrações”, pedindo a “maior urgência” nas obras.

Dirigindo-se ao diretor nacional também desafiou a “uma revisão na autonomia financeira dos comandantes, para tornar mais ágil a gestão diária das necessidades logísticas, indispensáveis ao funcionamento dos serviços”, “sem se prescindir do controle dos mesmos”.