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Museu da Cerâmica. Relação entre Alcobaça e a cerâmica servida em mais de duas mil peças

Dois anos depois, a doação que Jorge Pereira Sampaio fez ao município dá origem a um renovado museu que ajuda a contar a história de uma simbiose feliz, que se desenvolve há vários séculos.

O Museu da Cerâmica de Alcobaça - Coleção Maria do Céu e Luís Pereira de Sampaio encheu no dia 13 de junho com muitos que quiseram conhecer o novo projeto museológico FOTO: CMA

Desde sábado, 13 de junho,, mais de duas mil peças ajudam a perceber a história da evolução da cerâmica alcobacense desde 1875 – sobretudo, mas não só – até à atualidade no renovado Museu de Cerâmica de Alcobaça.

A partir de parte da coleção que dois antigos comerciantes e colecionadores apaixonados pela cerâmica local e nacional começaram a juntar em meados do século passado, foi idealizada uma nova proposta para integrar a rede museológica de Alcobaça.

O Museu de Cerâmica de Alcobaça – Coleção Maria do Céu e Luís Pereira de Sampaio é a aposta do município para projetar o papel transversal que a cerâmica teve na história do concelho – e continua a ter hoje em dia.

Isso é realçado pelo presidente da Câmara de Alcobaça, que salienta o “grande significado” do espaço para “a afirmação da nossa identidade coletiva”. Hermínio Rodrigues lembra números de 2024: 52 empresas no concelho ligadas à indústria da cerâmica, empregando 990 pessoas e com cerca de 50 milhões de euros de volume de negócio.

Mas, frisa, “em Alcobaça, a cerâmica é muito mais do que uma atividade económica”: “É património, é memória, é cultura, é talento e é futuro”, numa “expressão profunda do nosso saber-fazer, herdado ao longo de gerações e continuamente renovado”.

Fundado por iniciativa privada e com funcionamento ao público intermitente, o museu da rua Frei Fortunato tem agora novo caminho. Renasce após a doação feita pelo filho de Maria do Céu e Luís Pereira de Sampaio. O historiador (e antigo diretor do mosteiro de Alcobaça) Jorge Pereira de Sampaio cedeu ao município parte da coleção dos pais, sem contrapartidas financeiras, com a promessa de que a fruição do espaço fosse aberta ao público.

Entre as 2.300 peças cedidas estão duas esculturas atribuídas aos monges barristas do Mosteiro de Alcobaça (séc. XVII) e formas de doces conventuais do século XVIII. Mas o núcleo central concentra-se na produção que resultou da industrialização de processos, a partir de 1875 até à atualidade.

“Este museu é muito mais do que um espaço expositivo. É um lugar de encontro entre passado e futuro”, conclui Hermínio Rodrigues, considerando-o “um tributo aos que fizeram a história da cerâmica em Alcobaça” e “um incentivo para os que continuam a projetá-la com ambição, criatividade e autenticidade”.

O Museu da Cerâmica de Alcobaça está de portas abertas entre terça-feira e domingo (9h30-12h30 e 14h-18h), com entrada livre.


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