Óbidos é oficialmente candidata a Capital Portuguesa da Cultura 2028 anunciou na passada semana o município, que assume este desafio como “oportunidade para lançar o debate e promover uma reflexão sobre o papel da Cultura no desenvolvimento de Portugal e das comunidades”.
“Óbidos acredita que chegou o momento de afirmar uma nova centralidade para a Cultura nas políticas públicas. Não como um setor periférico da ação do Estado, mas como um investimento estratégico no desenvolvimento do país. Investimento em conhecimento, em educação, em criatividade, em pensamento crítico, em participação cívica e em coesão social”, afirma o presidente da Câmara Municipal, Filipe Daniel.
Cidade Criativa da UNESCO na área da Literatura desde 2015, o objetivo da candidatura é fazer da literatura uma “verdadeira política pública”, através da experiência “singular” que Óbidos adquiriu ao longo da última década.
“Uma política pública capaz de aproximar escolas e bibliotecas, apoiar a criação artística, reforçar hábitos de leitura, qualificar a democracia, combater desigualdades, valorizar os territórios, e criar oportunidades para as novas gerações”, destaca o autarca.
A candidatura propõe, também, uma reflexão sobre o “lugar de Portugal no mundo” pela “condição atlântica e a língua portuguesa”.
“Mais de 300 milhões de pessoas partilham hoje a língua portuguesa como espaço de criação, cooperação e circulação de conhecimento. Óbidos acredita que Portugal deve assumir plenamente essa responsabilidade história e essa oportunidade de futuro, posicionando-se como o grande hub transatlântico de criatividade, conhecimento e cooperação cultural entre a Europa, África e a América Latina”, refere comunicado do Município.
Ricardo Duque, vereador da Câmara Municipal de Óbidos com pelouro da Cultura, reforça que Óbidos quer-se afirmar como “um lugar onde escritores, artistas, investigadores, tradutores, empreendedores criativos e instituições culturais se encontram para produzir pensamento, inovação e futuro.
“Mais do que apresentar uma candidatura, Óbidos apresenta uma proposta: demonstrar que a Cultura pode ser uma das mais poderosas ferramentas de transformação coletiva de que Portugal dispõe”, diz o vereador.
A criação do Centro Internacional da Literatura e do Conhecimento é uma das propostas de candidatura de Óbidos.
A infraestrutura cultural inclui biblioteca contemporânea, centro de criação artística, espaço de investigação, auditórios, galerias, residências criativas, fóruns de participação coletiva, bem como um Centro de Internacionalização de Língua Portuguesa, dedicado à tradução, à diplomacia cultural, à formação, à investigação e à circulação de autores e criadores dos países da CPLP.
A candidatura alia-se ao “conjunto de algumas das mais relevantes vozes da Literatura e da Cultura contemporâneas, que aceitaram associar-se a esta candidatura enquanto seus embaixadores”.
A jornalista e presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Río, e os escritores Mia Couto, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, José Eduardo Agualusa, Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Valter Hugo Mãe e Tatiana Salem Levy são os embaixadores que integram a candidatura.
Segundo o comunicado, “mais do que um gesto de reconhecimento institucional, este apoio traduz a convicção de que a Literatura, a leitura e a criação artística podem desempenhar um papel central na construção de sociedades mais livres, mais críticas e mais preparadas para os desafios do futuro”.