O projeto Ágora volta ao Castelo de Leiria entre 18 e 20 de setembro com criações que propõem uma reflexão sobre futuro, numa programação que integra PAUS e artistas da Bélgica, Marrocos e Palestina.
Ao longo de três dias, o monumento de Leiria abre portas à música, performance, instalação e oficinas, numa iniciativa da produtora Omnichord que faz do património imaterial contemporâneo pretexto para habitar aquele lugar histórico.
“Ágora propõe uma experiência mais intimista, onde a música, a palavra e a criação artística oferecem-nos uma suspensão rara”, avança a organização em comunicado.
A programação plural, feita de “momentos de luz e momentos de sombra, de inquietação, celebração, silêncio e esperança”, procura “criar lugares onde o encontro vence o afastamento, onde a escuta vence o ruído e onde a criação nos lembra que há sempre outras formas de imaginar e construir o futuro”.
Hoje, a Omnichord anunciou os primeiros nomes da edição de 2026 de Ágora, que vai levar ao Castelo de Leiria os PAUS, para a apresentação do disco “Enterro”, que marca a despedida da banda portuguesa dos palcos.
De fora para dentro das muralhas, chegam Asmâa Hamzaoui & Bnat Timbouktou, “referência maior da tradição Gnawa marroquina e um dos projetos mais marcantes da nova geração desta linguagem musical”.
Da Palestina para Leiria viaja a artista Israa Shalaby, que cruza voz, espiritualidade e experimentação, numa performance descrita como “profundamente imersiva”.
A partir de vozes palestinianas nasce “Mā tmutish”, uma obra construída a partir da palavra, da memória e da resistência, por El djinn, projeto iniciado por Artur Pispalhas.
Internacional é ainda o espetáculo que a compositora belga Margaret Hermant preparou para Ágora, “um universo delicado com a sua harpa, eletrónica e silêncio”.
A iniciativa da Omnichord acolhe também colaborações entre artistas, como a interseção entre Rita Silva e Mbye Ebrima, que combinam “repetição e a variação melódica vindas das tradições do minimalismo ocidental e dos sistemas de oralidade da África ocidental”.
De cruzamento faz-se também “Manto azul”, projeto de Haydn Douet Lukies e Afonso Simões, feito de “percussão acústica e um caráter hipnótico”.
A restante programação será anunciada posteriormente, mas uma novidade desta edição é “Partir pão, partir pedra”, o convite para um piquenique comunitário nas varandas da fortificação, em mais um momento para “criar laços, partilhar histórias e descobrir novas formas de ocupar o Castelo” e “transformar um lugar de defesa num lugar de encontro”.
O acesso às atividades de Ágora está incluído no bilhete habitual de entrada no Castelo de Leiria. Os residentes no concelho de Leiria têm entrada livre, mediante apresentação de comprovativo de morada e identificação