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Sobrepopulação é um dos principais desafios dos centros de recolha animal

Política de gestão das populações de animais de companhia assenta atualmente num modelo integrado, baseado na esterilização, identificação e registo, promoção da adoção, detenção responsável e prevenção do abandono, refere DGAV

Mais de 40 mil animais têm sido recolhidos anualmente pelos Centros de Recolha Oficial (CRO) e o número de adoções ultrapassa a metade deste número, segundo a Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), assumindo a sobrelotação como um dos principais desafios do sistema.

Segundo os dados disponibilizados, em 2024 foram reportados pelos municípios e médicos veterinários municipais 42.718 animais recolhidos pelos CRO, tendo sido adotados 30.126 animais à guarda destes centros (ou seja, entre os que foram acolhidos nesse ano e os que já lá estavam).

No ano seguinte, em 2025, foram declarados 40.098 animais recolhidos e 22.375 adotados.

A Direção-Geral alertou que a comparação deve “ser feita com alguma cautela, uma vez que os relatórios foram produzidos com metodologias e universos diferentes”: o relatório de 2024 foi elaborado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e o de 2025 pela DGAV.

Segundo a DGAV, em 2025 foram consideradas as atividades realizadas em CRO relativas a cães e gatos devidamente registados e, no caso das adoções, “foram contabilizadas as saídas para titulares particulares”.

“A sobrelotação dos CRO e das associações constitui atualmente um dos principais desafios do sistema de bem-estar animal, sobretudo quando o número de animais recolhidos ultrapassa a capacidade de saída por adoção ou cedência”, destacou.

Segundo a DGAV, a resposta passa pelo reforço da capacidade de acolhimento e por “medidas que permitam reduzir a entrada de novos animais no sistema”.

“A política de gestão das populações de animais de companhia assenta atualmente num modelo integrado, baseado na esterilização, identificação e registo, promoção da adoção, detenção responsável e prevenção do abandono”, acrescentou.

Desde a lei de 2016, que proíbe o abate de animais de companhia como instrumento de controlo populacional, a esterilização é considerada uma das medidas de “maior eficácia” para impedir a sobrepopulação destes animais, mas “não existe informação nacional consolidada que permita indicar quantos municípios têm programas próprios de esterilização e qual o valor que cada município despende anualmente”, acrescentou a DGAV à Lusa.

No entanto, no último ano foram apoiadas financeiramente 74.018 esterilizações realizadas por municípios e associações zoófilas, num “investimento público significativo”, que totalizou 3.201.126 euros. Nos CRO foram realizadas 43.165 destas esterilizações em 2025.

Segundo as estatísticas da base de dados nacional SIAC – Sistema de Informação de Animais de Companhia, de 20 de agosto, há 5.227.251 animais de companhia registados (com ‘microchip’) em Portugal, dos quais 3.854.299 são cães e 1.269.018 gatos. Até então, em 2026 já tinham sido registados 233.964 animais de companhia.


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