Nas dobras do tempo, há datas que parecem respirar nos próprios tijolos das Caldas da Rainha. Em agosto de 1926, na secura estival de um país a refazer-se sob os auspícios do novo regime saído do 28 de Maio, a toada quotidiana da vila mudou de rumo ao som do rodar metálico de uma modernidade em marcha. Foi a 21 desse mês que o decreto-lei oficializou a criação dos batalhões de ciclistas em Portugal, ancorando o Batalhão n.º 2 no coração caldense. Nos emblemáticos Pavilhões do Parque, deu-se a grande rotação: a partida dos infantes abriu caminho a homens montados em velocípedes de campanha, gerando debates inflamados e crónicas atentas na imprensa.
Jorge Mangorinha
Arquiteto
ExclusivoHoje às 18:35
Postal das Caldas: Museu do Ciclismo
A bicicleta deixou de ser apenas máquina de transporte para se converter num traço indelével da identidade local. E se o quartel mudou de feição, o eco dessas rodas de ferro sobrevive hoje