A GNR registou 30 participações por burlas com simulação de acidentes de viação no primeiro semestre do ano, uma das quais no distrito de Leiria. No ano passado, foram apresentadas 59 queixas por este tipo de crimes, tendo três ocorrido no distrito.
Na maioria dos casos, as vítimas têm mais de 60 anos, adianta a GNR em comunicado, que estima em 72.540 euros o montante global do impacto financeiro para os lesados até à data (quase tanto quanto os 77.480 euros calculados em todo o ano de 2025).
Segundo a GNR, estes crimes, que consistem na simulação de colisões para exigir pagamentos imediatos e aceder a contas bancárias, têm ganho contornos cada vez mais sofisticados. “A dimensão dos prejuízos patrimoniais revela um agravamento substancial por ocorrência, impulsionado pela utilização de novos métodos de extorsão e pelo acesso direto aos cartões e códigos bancários dos lesados”, avança a GNR que perspetiva um impacto financeiro global elevado em 2026.
Abordagens suspeitas
“A escolha deliberada de condutores com mais de 60 anos constitui uma estratégia central dos burlões”, alerta ainda a GNR, frisando que os suspeitos exploram a sua “vulnerabilidade emocional, o receio de complicações legais, menor familiaridade com métodos de pagamento eletrónico”, além da “boa-fé e o sentimento de culpa dos condutores”.
A abordagem pode sofrer variáveis mas, na maioria dos casos, “os autores seguem a vítima à saída de parques de estacionamento”, muitas vezes junto a superfícies comerciais, “utilizando sinais de luzes e avisos sonoros para forçar a paragem na via pública”.
Os burlões apresentam-se geralmente com uma “postura cordial, segura e persuasiva”, por vezes acompanhados “por mulheres e crianças para transmitir uma falsa imagem de tranquilidade”. Procuram então convencer “o condutor de que este embateu no seu veículo (geralmente apontando para riscos pré-existentes ou espelhos partidos)” com alguma pressão.
Alegando “pressa ou necessidade de evitar a perda de bónus de seguro e a intervenção policial, exigem o pagamento imediato do valor em numerário, acompanhando os lesados até caixas de multibanco para efetuarem levantamentos”. Nalguns casos, “observam o código PIN digitado pela vítima e trocam disfarçadamente o cartão bancário por outro similar” para, através de “terminais de pagamento automático portáteis”, transferir quantias avultadas.
15.450
Num dos casos registados este ano pela GNR, o prejuízo para a vítima ascendeu a 15.450 euros, após os burlões terem conseguido aceder à sua conta bancária através de métodos cada vez mais sofisticados
Como proteger-se
Entre as medidas de prevenção, a GNR aconselha a nunca efetuar pagamentos imediatos no local, a proteger sempre dados bancários, a fotografar os veículos em caso de acidente, a solicitar a documentação da outra parte para efeitos de comunicação à seguradora, a preencher a participação amigável ou contactar a seguradora. Qualquer situação suspeita deve ser denunciada às autoridades, alerta ainda.