Procurar
Assinar

Subscreva!

Newsletters RL

Saber mais

PMUS de Leiria: planeamento ou inevitabilidade?

“Leiria precisa de um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável), mas precisa que apresente alternativas antes de proibições, custos antes de promessas e prioridades antes de metas”, escreve o cidadão Dinis Francisco.

Depois da carta publicada na semana passada sobre mobilidade sustentável, ficou claro que o problema não é o objetivo. Todos queremos menos trânsito e autocarros que funcionem. O que a entrevista de Paula Teles veio esclarecer, e justifica este segundo texto, não é a visão, e sim os meios, os custos e o que ainda não foi mostrado.

O argumento central continua a ser o envelope financeiro: há dinheiro europeu e se não fizermos o Plano perdemos o financiamento. Um plano avalia-se pela adequação a Leiria, exequibilidade, custo e impacto para quem cá vive, não pelo medo de perder fundos. É planeamento, não candidatura.

Sobre 2016, diz-se que o Plano não ficou na gaveta porque houve medidas concretizadas. Ficou. O exemplo dado, o Intermodal junto ao estádio, prova-o. Retiraram-se autocarros do centro para uma zona periférica com ligações fracas e pouca conveniência. Chamar-lhe Intermodal não cria um sistema. Cria uma paragem longe do centro, longe da conveniência e longe de quem a devia usar.

Depois repetem-se comparações com cidades europeias onde o carro pesa menos de 30 por cento. Essas cidades têm metro, redes densas, população concentrada e serviços próximos. Leiria tem 565 km2 e freguesias rurais a 20 km da cidade. Comparar percentagens sem comparar território é inteletualmente desonesto.

Também não ajuda a caricatura de 50 anos de ditadura contra 50 anos de liberdade e automóvel. O problema não foi a liberdade. Foi um modelo de ordenamento que incentivou dispersão urbana, dependência do automóvel e expansão rodoviária.

Chegamos ao centro. Diz-se que não se elimina todo o estacionamento, mas assume-se tendência para quota zero. Se é zero, é zero. O morador sem garagem, o trabalhador por turnos, o comerciante que precisa de cargas e o cidadão com mobilidade reduzida não pode ser tratado como detalhe.

Mais grave: perante um parque privado subterrâneo previsto no quarteirão da rodoviária, responde-se que o PMUS só trata do espaço público. É uma separação cómoda entre plano e cidade real, que permite licenciar no privado o que se proíbe no público.

Leiria precisa de PMUS (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável), mas precisa que apresente alternativas antes de proibições, custos antes de promessas e prioridades antes de metas.

E aqui está o desenvolvimento que faltava: existe um draft com 74 ações que os cidadãos não conhecem, não há calendarização, nem custos, e não sabemos que contributos deram comerciantes, Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, PSP, escolas, juntas de freguesia, entre outros. Sem publicar esse material e sem segunda volta de participação, não estamos a planear a mobilidade, estamos a aprovar uma visão e a descobrir depois como executá-la.

Ora, o dinheiro europeu financia um Plano, mas não substituirá o planeamento que continua por fazer.

Dinis Francisco
Leiria

Deixar um comentário