A empresa Águas do Centro Litoral (AdCL) tem em curso investimentos de 5,5 milhões de euros para tornar mais resilientes infraestruturas na bacia hidrográfica do Lis devido ao acidente numa estação elevatória e à depressão Kristin, foi hoje anunciado.
“Tivemos a questão do acidente, que é uma situação muito dramática para as Águas do Centro Litoral, um evento completamente contrário à [sua] natureza, (…) mas depois veio a Kristin, que imputou mais desgaste aos sistemas no seu todo”, afirmou a presidente do conselho de administração, Filipa Alves.
Filipa Alves falava aos jornalistas no final da última reunião da comissão de acompanhamento criada para avaliar a avaria, em agosto de 2025, na estação elevatória de Monte Real (Leiria), os seus impactos e a necessidade de investimentos, que se realizou na estação de tratamento de águas residuais do Coimbrão.
Em 12 de agosto de 2025, uma avaria naquela estação elevatória no concelho de Leiria, gerida pelas AdCL, obrigou à descarga de milhares de metros cúbicos de efluentes não tratados para o rio Lis, que nasce no concelho de Leiria e desagua na Praia da Vieira (Marinha Grande), e em valas de rega.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estimou que foram lançados ao rio entre 20 mil e 25 mil metros cúbicos de esgoto bruto.
Em 28 de janeiro, a depressão Kristin, que provocou falhas significativas no fornecimento de energia elétrica, afetou a operação de várias infraestruturas essenciais ao sistema de abastecimento de água da empresa.
Filipa Alves explicou que as medidas que tinham sido pensadas no âmbito da resiliência, para evitar novos acidentes, foram reforçadas com outras de mitigação, “para conferir maior resiliência infraestrutural e operacional”.
De acordo com a presidente da AdCL, foi estimado “um conjunto de medidas que totalizavam cerca de 5,5 milhões de euros”, para renovar vários equipamentos (bombas, geradores, válvulas ou quadros elétricos), incluindo de automação, para “uma melhor monitorização do desempenho e do funcionamento dos vários equipamentos e das instalações”.
“Tudo isso vai conferir maior resiliência infraestrutural”, garantiu esta responsável, assinalando que, daquele montante, 4,1 milhões de euros, “a grande maioria já está com contrato assinado”, com alguns equipamentos entregues e outros em fase de entrega.
Nas restantes situações decorre a preparação das peças de procedimento concursal.
Filipa Alves salientou que a resiliência operacional inclui a “melhoria nos sistemas de comunicações, na logística dos equipamentos e das peças de reserva”, estando a ser feita uma análise da necessidade destas últimas e de equipamentos de redundância, assim como a sua localização.
A presidente da AdCL referiu ainda que a empresa tem constatado que o leito do rio Lis está a escavar “determinadas margens de uma forma mais acelerada”, situação que poderá estar relacionada “com um continuar de invernos rigorosos”.
“Alguns casos [infraestruturas da empresa] estão mesmo próximo de ficar expostos. As margens já foram escavadas e já perturbaram até pequenas vias de circulação que existem ao longo do rio”, alertou, adiantando que a situação foi reportada à APA, que não esteve representada na reunião da comissão de acompanhamento, para que possa “promover essa regularização do leito e das margens do rio”.
Avisando que “isso só vai piorar”, Filipa Alves notou que a “competência dessa regularização da margem” não é função das AdCL.
“Ficamos preocupados e é evidente que a exposição das nossas infraestruturas pode condicionar o transporte dos efluentes. Obviamente que nós não queremos que isso fique em risco e por essa razão estamos a acompanhar, tentamos trabalhar em conjunto com a APA para identificar e pressionar, e estivemos no terreno com eles este verão, precisamente para identificar dois ou três pontos mais críticos”, adiantou.
A AdCL é responsável pelo sistema multimunicipal de abastecimento de água e de saneamento do Centro Litoral de Portugal, integrando 30 municípios e uma população servida de 725 mil habitantes.
A empresa gere quatro estações de tratamento de água e sete outras instalações de tratamento de água, 204 estações elevatórias de abastecimento de água e saneamento e 60 reservatórios, 69 estações de tratamento de águas residuais e 1.250 quilómetros de condutas de água e emissários de saneamento.