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Protesto dos bombeiros da Nazaré termina com demissão do presidente da direção

O presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários da Nazaré, José Sales, demitiu-se após um protesto de cerca de 40 operacionais, que depuseram os capacetes na tarde de terça-feira.

Grande plano de uma farda vermelha com a palavra «BOMBEIROS» e uma insígnia de graduação no bolso. Não são visíveis rostos nem elementos que permitam identificar uma pessoa.

O presidente da direção da Associação dos Bombeiros Voluntários da Nazaré demitiu-se na sequência de um protesto da maioria dos operacionais, mas entregou à câmara um dossier com participações ao Ministério Público e irregularidades que quer ver investigadas.

O protesto de cerca de 40 bombeiros da corporação, que na tarde de terça-feira depuseram os capacetes, culminou com a demissão do presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros da Nazaré, José Sales, e a sua substituição pelo vice-presidente, António Caroça.

Os operacionais justificaram o protesto com a “falta de confiança” em José Sales, que, numa carta publicada nas redes sociais, acusam de “diferenciação entre bombeiros, interferências em matérias que devem respeitar as estruturas e competências próprias do funcionamento operacional, pressões e conflitos internos que acabaram por colocar pessoas umas contra as outras”.

“Funcionários e bombeiros que se sentiram pressionados, atitudes e expressões que fizeram muitos sentir que questionar, discordar ou simplesmente não concordar poderia ter consequências e a sensação, cada vez mais presente, de que determinadas vontades pessoais se sobrepõem àquilo que é melhor para o funcionamento da instituição”, acrescentaram.

Contactado pela agência Lusa, na terça-feira, José Sales afirmou-se disponível para renunciar ao cargo, mas só depois de se reunir com o presidente da autarquia e responsável pela proteção civil local, Serafim António, para lhe entregar documentação sobre “situações muito graves” a ocorrer no quartel dos bombeiros.

“Entreguei a carta de demissão e o dossier com toda a documentação para que o presidente seja o garante de que todos aqueles factos sejam investigados, apesar da minha demissão e para que tudo fique completamente esclarecido”, confirmou hoje José Sales.

Da documentação fazem parte “denúncias de duas bombeiras, enviadas por mail, sobre comportamento impróprio e assédio sexual por parte de um bombeiro voluntário”, das quais foi feita participação ao Ministério Público (MP).

José Sales revelou ainda ter detetado “irregularidades no pagamento das verbas do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), que vinham já da direção anterior e sobre as quais o anterior comandante operacional [Mário Cerol] manifestou desconforto”.

Um inquérito aos procedimentos, encomendado a um escritório de advogados, resultou num relatório entregue por Sales ao MP da Nazaré no final de 2025 e que está ser investigado pela Polícia Judiciária “juntamente com outro processo, que já vinha de 2023, resultante de uma queixa anónima”.

A atual direção alterou os procedimentos no pagamento do DECIR mas José Sales acrescentou que se deparou, no final de setembro, “com uma situação relativa ao mês de agosto, com um pagamento a um operacional que não esteve ao serviço nesse dia e que assinou a folha de ponto”.

Essa irregularidade foi transmitida ao comandante [da corporação, Joaquim José Silva], que a reportou à Inspeção dos Serviços de Emergência e Proteção Civil.

Às situações reportadas juntam-se “tentativas de agressão de um bombeiro voluntário ao adjunto do comando” e alegados roubos dentro da corporação, entre outros, contou José Sales à Lusa.

A Lusa tentou, sem sucesso, ouvir o comandante da corporação sobre as situações reportadas.

O corpo ativo dos Bombeiros da Nazaré divulgou hoje na rede social ‘Facebook’ ter recebido, “com respeito, a decisão do presidente da direção”, com a qual se “fecha um capítulo e se abre espaço para um novo começo”.

Na reunião de câmara de hoje de manhã, o presidente do executivo esclareceu que a sua intervenção no conflito visou “garantir que era assegurado o socorro às populações, que nunca esteve em causa durante o protesto”.

Sem se referir ao dossier entregue por José Sales, o presidente disse acreditar que, “neste momento, estão criadas as condições para que haja estabilidade, quer seja na direção, quer seja no próprio corpo de bombeiros”.


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