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A preto e branco: Esquerda ou direita

Um amigo dizia-me que já não sabia se era de direita ou de esquerda. É compreensível. As ideologias estão demasiado misturadas e dificilmente conseguem responder às necessidades de um mundo em colapso. Na sua origem, a esquerda assenta na igualdade, no interesse colectivo, no poder do Estado e na repressão do desejo individual.

Elsa Rodrigues, professora elsardrgs@gmail.pt

Um amigo dizia-me que já não sabia se era de direita ou de esquerda. É compreensível. As ideologias estão demasiado misturadas e dificilmente conseguem responder às necessidades de um mundo em colapso. Na sua origem, a esquerda assenta na igualdade, no interesse colectivo, no poder do Estado e na repressão do desejo individual.

A direita defende os privilégios, o mérito, o capital, a propriedade privada e a auto-regulação dos mercados. Mas as ideologias não são estanques. As relações entre a religião e o Estado obrigam a acrescentos e reorganizações. A direita associa-se aos valores católicos, mais conservadores, corporativos e elitistas. A esquerda, por defeito, propõe tolerância nos costumes, uma cultura vanguardista e maior ligação ao operariado e às minorias.

O resultado é grande mistura, às vezes contraditória, uma área de cinzento em que é difícil posicionarmo-nos de forma clara e reflectida. Até porque se resume muitas vezes a uma divisão em “nós vs outros”, que apela mais ao sentimento do que à razão. Tendo a achar que a questão que verdadeiramente devemos fazer é se somos estruturalmente honestos ou desonestos, se somos capazes ou não de prejudicar os outros ou, pelo contrário, de sacrificarmos os nossos interesses por um bem maior. Sabendo isso, o resto é uma questão de escolher o caminho. Mais à direita ou mais à esquerda.

(texto publicado na edição em papel de 25 de Novembro de 2011)