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A preto e branco: Fim dos tempos?

2012 é o ano de todos os perigos. Perigo para as economias, para a democracia, para os Estados, para o bem-estar social e, segundo as profecias, até para o próprio mundo.

Elsa Rodrigues, professora elsardrgs@gmail.pt

2012 é o ano de todos os perigos. Perigo para as economias, para a democracia, para os Estados, para o bem-estar social e, segundo as profecias, até para o próprio mundo. E as profecias podem ter razão: o fim do mundo, tal como o conhecemos, está próximo. Ao contrário daquilo que nos parece, o fim de mundos conhecidos não é nada de novo. A humanidade vive em looping, repete-se ciclicamente, dando pequenos saltos, uns à frente outros atrás, apenas para voltar a fazer um loop em que parece reinventar-se.

Às vezes os saltos são maiores e originam transições paradigmáticas, mudanças profundas que alteram radicalmente instituições, conhecimento, valores e até a relação com ou outros e com a transcendência. Acredito que estamos a viver um desses momentos de transição, obrigados a assistir à derrocada dos pilares que sustentaram as nossas convicções e vivências. É doloroso e o futuro parece um lugar sombrio. Mas, inevitavelmente, esses pilares irão dar lugar a outros, mais adequados a novas exigências, preparando o espírito do tempo para mais um loop na montanha russa da História. A humanidade, tal como as pessoas, mostra-se infinitamente capaz de se renovar. Por isso, ao contrário do pessimismo apocalíptico das profecias, proponho que se encare 2012 como um ano de Renascimento, em que seremos capazes de reinventar o mundo.

(texto publicado na edição em papel de 6 de Janeiro de 2012)