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A preto e branco: Juntos ou separados?

Há quase duas décadas atrás discutia-se a aplicação de um modelo regionalista ao país e, simultaneamente, um modelo federalista à Europa, o que conduziria a uma fragmentação do Estado-Nação, dividido entre poderes infra e supranacionais.

Elsa Rodrigues, professora elsardrgs@gmail.pt

Há quase duas décadas atrás discutia-se a aplicação de um modelo regionalista ao país e, simultaneamente, um modelo federalista à Europa, o que conduziria a uma fragmentação do Estado-Nação, dividido entre poderes infra e supranacionais.

Na realidade, o que estava em jogo era a reorientação dos núcleos de pertença. Optou-se, nos dois casos, pela solução intermédia de um centralismo descentrado, que não reforçou identidades regionais nem consolidou a identidade europeia e que permitiu a disseminação da (ir)responsabilidade política ao longo dos vários níveis de tomada de decisão.

Como consequência, voltamos hoje a discutir a questão da pertença, sem o optimismo de há duas décadas nem direito a escrutínio popular. Como se redefinem agora as identidades colectivas? Em termos locais, o reordenamento das freguesias impõe um mapa artificial que destrói vivências culturais consolidadas e formas de participação pública.

Em termos globais, a ideia de uma Europa unida depois de séculos de ódios e duas guerras mundiais revela a sua extrema fragilidade e a volubilidade das alianças quando os interesses nacionais estão em causa.

Já não queremos ser europeus mas não podemos deixar de o ser.

O que resta então que diga o que somos e a que pertencemos? Fragilizado mas resistente, vai restando o fado, mais ou menos triste, de ser português. Pelo menos por enquanto.

(texto publicado na edição em papel de 16 de Dezembro de 2011)