Carlos Silva, diretor do ISLAcarlos.silva@unisla.pt
Carlos Silva, diretor do ISLA carlos.silva@unisla.pt

Os países lidam hoje com incríveis demonstrações de criatividade da parte das populações, transformando-se em verdadeiras participações cívicas. Estimuladas ou não, com maior ou menor grau de espontaneidade, o mediatismo das redes sociais deixa algumas autoridades em posição desconfortável quanto à forma como podem agir. Desconcerta mesmo aqueles que, habituados a padrões, veem na originalidade e na criatividade uma forma tão simplificada de participar que paralisa a reação tradicional. Mesmo num espaço geográfico onde se experimenta alguma liberdade, em Hong Kong foi mal entendido o facto da autoridade soberana ter solicitado uma pré-aprovação central dos candidatos para as eleições que se realizam em 2017. A três anos de distância então o impensável aconteceu. As pessoas perceberam que este filtro iria depurar o sistema, mas num sentido que poderia não ser o mais adequado para a praça financeira e para os seus cidadãos. A situação até pode acabar menos bem. Mas não será o mesmo daqui para a frente. Num espaço onde se experimenta alguma liberdade, a consciência individual e coletiva dos estudantes e seus simpatizantes traz novamente à ribalta os aspetos relacionados com o facto das pessoas gostarem de ser parte da decisão do espaço onde vivem. Em especial naqueles locais onde a noção de liberdade é limitada. E onde as pessoas aspiram a um futuro menos condicionado.

(texto publicado na edição de 2 de outubro de 2014)