Enquanto educador, não posso ignorar um dado cada vez mais evidente do nosso quotidiano, as crianças mexem-se, brincam e jogam menos.
A evidência científica demonstra que, em Portugal, menos de 30% dos jovens cumprem os 60 minutos diários de atividade física recomendados pela OMS. As consequências deste sedentarismo são alarmantes. Mais de 30% das crianças entre os 6 e os 8 anos sofrem de excesso de peso e mais de 13% são clinicamente obesas.
Para além da saúde física, sabemos que as crianças menos ativas apresentam menor concentração, pior desempenho escolar e mais dificuldades emocionais e sociais.
Brincar é um laboratório de movimento e de aprendizagem holística. Através do jogo, a criança desenvolve a criatividade, a tomada de decisão, o espírito de equipa e a resiliência para lidar com o sucesso e com o erro, preparando o seu futuro.
A Educação Física e o Desporto são fundamentais, mas o verdadeiro motor da mudança reside na família. O movimento deve pulsar no recreio, na rua, nos clubes e, acima de tudo, em casa.
O primeiro passo deve iniciar no contexto familiar, pois pais ativos potenciam crianças ativas. O comprometimento em família com o movimento e com o brincar, em particular nas fases sensíveis da criança, é o estímulo mais poderoso para revertermos este desafio.
Precisamos de ser proativos e articular sinergias.
Devolver às crianças o tempo, a autonomia e o gosto para brincar é uma urgência pedagógica, política, social e de saúde pública.
João Teixeira
Professor de Educação Física e coordenador do Desporto Escolar do Agrupamento de Escolas Marinha Grande Poente
ExclusivoHoje às 18:36
Era uma vez: Mexam-se e brinquem mais!
A Educação Física e o Desporto são fundamentais, mas o verdadeiro motor da mudança reside na família.