Num momento ou noutro, todos já pensámos em desistir e, muitas vezes, desistimos mesmo. “Não querer continuar ou deixar de ter determinado objetivo” é parte integrante da nossa natureza, como o é querer continuar, independentemente das circunstâncias. Desistir tem a vantagem de criar mais espaço para o novo, para o inesperado, e pode ser decisivo na construção do futuro. Desistir pode ser muito saudável e a única forma de seguir em frente.
Mas desistir de um projeto não se confunde com desistir da verdadeira luta, da luta interior, da inquietação que nos move, da curiosidade que nos alimenta e da beleza que é viver por e com os outros, com e por amor. A perseguição dessa luta, ainda que por vezes se revele muito difícil, pode levar-nos ao mais bonito de todos os lugares e pode pôr-nos de frente com aqueles que mudarão a nossa vida por completo.
Na serra, por estes dias, pensamos em quem desistiu (não de um projeto, mas da própria vida). Pensamos no que mais poderíamos ter feito e em como podemos acautelar o futuro, a repetição de situações afins. As perguntas que ecoam pelas esquinas das nossas ruas e que aqui replico, atenta a sua pertinência, são as seguintes: quando foi que deixámos de escutar os que gritam por ajuda? Quão mais alto é preciso gritar? Talvez sejamos em breve os que alegremente habitam a sua própria surdez; salve ó atenção e escuta.