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Mulher 3.0: Não sei falar de sexo

Tenho o melhor emprego do mundo: escrevo sobre sexo.

Catarina Gomes, jornalista catarina.gomes.junior@gmail.com

Tenho o melhor emprego do mundo: escrevo sobre sexo. Quer mais detalhes? Masturbação, sexo oral, orgasmos, hetero- e homossexualidade. Choquei-o? E que tal clitóris, pornografia, ou fantasias sexuais? Por favor, não feche esta página, este tipo de conversas vão começar a ser cada vez mais frequentes na sociedade portuguesa e isso é um óptimo indicador de que estamos mais disponíveis para a felicidade. Pense lá: se conseguir falar sobre estes temas revela que está realmente a refletir sobre o que o faz feliz, e principalmente que não se coíbe de falar sobre tabus. E afinal de contas o que é um tabu? Não é nada mais do que assunto que a nossa sociedade naturalmente ou artificialmente categorizou de “errados”. Ora, a mim sempre me fez confusão dizer que algo é errado quando é puramente natural. O meu corpo é natural. O seu corpo também. O prazer também o deveria ser. Somos controlados por hormonas, e não por categorias. Natural também é falar sobre direitos das mulheres – e dos homens, educação sexual, violência doméstica e afins. Estes são temas que também abordo no meu trabalho, mas que a nossa sociedade diz mais normais. Agora expliquem-me porque razão é mais fácil falar de violência doméstica do que orgasmos? Talvez por termos passado mais tempo a falar mais sobre flores de laranjeira do que métodos contraceptivos.

(texto publicado na edição de 11 de julho de 2013)