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Nortada: Saltar para o abismo

Estamos em crise. É um facto. Não apenas económica e financeira. Sobretudo moral.

Filipe Pinto Loureiro, empresário flfranca@yahoo.com

Estamos em crise. É um facto. Não apenas económica e financeira. Sobretudo moral. Aliás, acredito que a crise que a (quase) todos nos atinge se deve à crise de valores e comportamentos de quem tem (tinha?) responsabilidades.

Mas agora que a crise é um facto, o que fazer? Roll over and die, como dizem os americanos, ou puxar pela cabeça e apostar num pouco de… fé? A primeira solução parece-me a mais fácil: quem não arrisca não petisca e, com este Governo, quem não arrisca também não tem que se endividar ainda mais para tentar recuperar a sua vida.

Já a segunda solução é a mais arriscada, a menos sensata. Puxar pela cabeça, apostar num produto ou serviço para explorar, investir, dar o melhor… e ter fé. Para além dos já aguardados sinais de inveja e má-educação por parte de quem não tem a mesma… fé, também os ventos e marés que teremos pela frente não vão ajudar.

Mas a minha geração, que nasceu no ano da liberdade, não tem outro caminho. Temos que saltar para o abismo. Com uma corda muito fina, praticamente sem rede e sem saber se quando chegarmos ao fundo iremos encontrar terra firme… ou água. E se for água, teremos que nadar. Um músico francês escreveu “aqui até os nossos sonhos são limitados e é por isso que irei para lá”. Tudo é melhor do que isto. Tudo é melhor do que desistir.

Escrito ao abrigo do anterior Acordo Ortográfico

(texto publicado na edição de 4 de julho de 2013)