Há uma contagem decrescente que nos aproxima do começo do ano letivo 2020/2021.

Será a primeira vez que o arranque de um ano escolar irá acontecer com uma pandemia que ameaça a Humanidade, obrigando o governo a uma navegação à vista, onde todo e qualquer incidente poderá alterar o planeamento, nomeadamente no que às aulas presenciais diz respeito.

Apesar dos vários cenários que podem estar previstos nos programas de cada estabelecimento, haverá sempre um clima de incerteza em torno da normalidade do tempo e modo letivo.

O principal desafio, como revelamos esta semana nas páginas 6 e 7, consiste na articulação de dois princípios que parecem contraditórios, conseguir ter os alunos juntos, mas garantir que ficam separados.

Cada escola está a tentar transformar o impossível em possível, num exercício de gestão logística de espaços e de recursos humanos, apenas concretizável com elevado sentido de responsabilidade, criatividade e cooperação.

Só com muito empenhamento e capacidade de superação será possível articular o trabalho de todos os que têm responsabilidades no sucesso educativo, nomeadamente os responsáveis dos estabelecimentos de ensino, os alunos e os encarregados de educação, os professores e funcionários, as autarquias e o governo.

Chegados aqui, é importante que os desafios da educação não fiquem circunscritos às respostas ao “novo normal”. As grandes questões continuam à espera de medidas, a começar pelo envelhecimento acelerado da classe docente.

O peso dos professores com mais de 60 anos cresce de ano para ano, sem que ninguém consiga antever a inversão da tendência. As próprias universidades, que durante muitos anos formaram um número excessivo de professores, há muito deixaram de apostar na formação inicial.