Assinar Edições Digitais

O meu diário: Hospital de Santo André

Ficam a saber que não somos um hospital perfeito, mas somos um dos melhores. Que nos preocupamos com a segurança do doente, com o rigor dos procedimentos, porque temos regras e as respeitamos.

Helena Vasconcelos, médica hml.vasconcelos@gmail.com

Desde 10 de julho que o nosso hospital recebeu a certificação de qualidade da Joint Comission International (JCI), que é tão-só o organismo de certificação mais exigente que por aí anda.

Este galardão resulta de um esforço de todos os que trabalham no hospital, desde o presidente até ao mais humilde funcionário. Todos se empenharam e não posso esquecer de ver a malta de livro na mão a estudar as regras, decorar plantas de emergência, treinar procedimentos. Uma maravilha. Os doentes que já não aguentavam tanta pergunta, verificação e reverificação.

Claro que há uns ranhosos que não veem (ou não querem ver) as vantagens de uma cultura de qualidade, sobretudo porque dá trabalho (e isso não nos falta) e sobretudo, porque rompe com as rotinas, porque nos vigia, e disso quase ninguém gosta.

Durante uma semana os auditores andaram por cá a meter o nariz em tudo. Visitaram instalações, remexeram nas gavetas, entrevistaram doentes e familiares, e até fingiram ser doentes para ver como reagíamos. Um sufoco diria eu. E se houver um incêndio? E se cair uma ampola perigosa para o chão? E se doente tiver uma pinta verde na pulseira de identificação? E a malta certinha desde as auxiliares aos diretores. Um orgulho para todos. Mostrem as vossas credenciais, mostrem os vossos indicadores. Queremos ver processos fechados de há quatro meses atrás.
Claro que temos algumas coisas a melhorar, claro que fizeram dezenas de reparos, claro que nos puxaram as orelhas aqui e ali, mas no final obtivemos uma das melhores notas alguma vez atribuída. E quando chegou a notícia da sede da JCI em Chicago houve uma sensação de alegria e alívio: tínhamos conseguido.

E isto o que interessa? Interessa para quem trabalha pelas razões óbvias e interessa sobretudo para quem utiliza pela relação de confiança, porque ficam a saber que não somos um hospital perfeito, mas somos um dos melhores. Que nos preocupamos com a segurança do doente, com o rigor dos procedimentos, porque temos regras e as respeitamos.

Há ainda um longo caminho a percorrer e teremos muitos percalços no caminho, mas a vontade de chegar ao topo é que manda. Como gosta de dizer o patrão, isto não é um hospital mas sim O hospital.

Quem o viu e quem o vê este nosso hospital, o hospital da qualidade e sobretudo das pessoas.

(texto publicado na edição em papel de 27 de julho de 2012)