Helena Vasconcelos, médicahml.vasconcelos@gmail.com
Helena Vasconcelos, médica hml.vasconcelos@gmail.com

A política anda suja demais para um cidadão normal se meter nela. A fama dos políticos é um fator de dissuasão que afasta os profissionais de mérito dos cargos políticos. Ficamos de novo entregues à corja de malfeitores que anda pelo poder e pela oposição na mesmíssima proporção. Enganem-se simpatizantes de um lado e do outro se acham que as vossas cores não têm tantas nódoas. Nem com lixívia lá iam. Rasgavam o pano antes de conseguir tirar as nódoas. O mundo da política é o mundo dos esquemas, do tráfico de influências, do toma lá da cá, de assim ganhamos todos e não é ilegal. E como a podridão é tão grande e disseminada, se um começa a falar arrasta mais que muitos com eles. Os laços são estáveis, todos têm alguma coisa a perder. Devem ter workshops de como ganhar dinheiro sem cometer ilegalidades mas dando golpes no sistema. Tenho pena dos políticos honestos que ainda deve haver um ou outro (e eu penso que conheço alguns) e que levam com a mesma crítica, com o mesmo desdém, com o mesmo sarcasmo e repugnância de quem se serve do outro para se servir a si próprio.

Estou em crer que só três coisas movem os homens que são o amor, o poder e o dinheiro.

Dado que o amor empolgante só dura 9 meses, que é quanto dura a dopamina no sangue, não é por aí que vamos fazer mudar o mundo. O poder devia ser o móbil do crime para a política, o poder sério e honesto. O poder é uma excelente arma que faz mover o mundo quando bem utilizado. E dura muito mais de nove meses.

Resta-nos enfim o dinheiro que é de certeza a maior força propulsiva do universo. Dura uma vida inteira e nunca se desvanece. Não serve literalmente para nada porque não compra nada do que é importante e do que realmente vale a pena. Mas é por ele que tudo se corrompe e tudo se modifica. É por ele que se cometem as maiores atrocidades em todo o lado.

Não sei que volta havemos de dar à coisa e quanto mais se fala de transparência mais vemos o lodo através dos vidros. Talvez o detetor de mentiras ou o soro da verdade pudessem dar uma ajuda. Quem sabe?

(texto publicado na edição de 2 de outubro de 2014)