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Opinião: Maçonaria e Religião

Os católicos, especialmente os ditos praticantes, ficaram estupefactos ao ouvir o Cardeal Patriarca de Lisboa a defender que os Maçons que desempenham cargos electivos, como é o caso dos deputados, têm direito à reserva quanto à sua condição.

Fernando Gonçalves maravilha1962@gmail.com

Os católicos, especialmente os ditos praticantes, ficaram estupefactos ao ouvir o Cardeal Patriarca de Lisboa a defender que os Maçons que desempenham cargos electivos, como é o caso dos deputados, têm direito à reserva quanto à sua condição.

Mas D. José Policarpo não se ficou por aí, foi mais longe, utilizou até o futebol como comparação. A Opus Dei ficou a “bater mal” e só se ouvia, de entre eles, um preocupado “será que?”

Eu acho que o cardeal foi apenas igual a ele mesmo, genuíno, descontraído, confiante e tolerante ou, por inapropriado que seja o termo, ecuménico.

Pessoalmente acho que todos nós ganharíamos que, pelo menos as figuras públicas, se assumissem e com isso talvez já não acontecessem verdadeiras guerras fratricidas nos bastidores do poder.

A guerra da Moderna e da Independente que não foram mais que um reeditar da Guerra surda na UAL do inicio dos anos noventa em que Luís Arouca ficou confinado a um sótão, que eu próprio frequentei como aluno, daquele que viria a ser o Instituto de Altos Estudo Contemporâneos, acantonado na cidade Templária de Tomar.

Tempos difíceis para a Maçonaria no país do católico Cavaco e de Guterres que lhe sucedeu. Mais recentemente a purga no BCP que foi muito noticiada, é verdade, mas bem à margem do seu verdadeiro leitmotiv.

O artigo de opinião que escrevi para o região de Leiria sobre a Maçonaria e as Secretas, na passada semana, terminava com um apelo a que irmãos da Maçonaria e da Opus Dei se declarassem como tal quando enveredam pela vida publica.

Sinto-me honrado por um dia ter sido convidado, apesar de não ter aceitado, e como tal acho estranho que em democracia haja tantos homens e mulheres com medo de assumir uma condição que apenas os dignifica.

Bem sei (todos sabemos) que um militante do CDS/PP pode ser hostilizado se se declarar Maçon e promovido se trilhar os caminhos de Escrivá de Balaguer, condição que pode até usar à lapela em determinados círculos.

Por seu turno um militante comunista, oficialmente ateu, pode sofrer incómodos por revelar a sua “militância” maçonica. Sim sabemos que podem ser hostilizados mas a causa não vale isso???

Ao longo da história da humanidade aqueles que os precederam deram, milhares de vezes, a vida para que eles pudessem livremente manifestar as suas ideias e eles que são os herdeiros directos desse colossal património da humanidade escondem-se?

Lamento mas não consigo perceber.