Ninguém conseguiu antecipar que seria um vírus a alterar radicalmente a organização escolar, tal como a conhecemos há mais de dois séculos, e cujo modelo já estava amplamente comprovado não se ajustar aos novos desafios dos tempos pré-pandemia quanto mais ao que se vai seguir.

Como resultado das medidas de contenção do vírus, as escolas fecharam fisicamente e escancararam as janelas das oportunidades permitidas pelas novas tecnologias. Em meia dúzia de dias operou-se uma verdadeira revolução com a substituição do ensino presencial por modalidades diversas de ensino a distância.

Obviamente que nem tudo podia correr bem, sobretudo ficou ainda mais claro que os mais débeis socialmente foram os mais prejudicados por estarem pior equipados do ponto de vista tecnológico, mas já eram, apenas ficou mais visível que a pobreza é o principal fator de exclusão e de maus resultados escolares.

Mas as conclusões a tirar desta situação de exceção são globalmente positivas e vieram demonstrar que a escola antiga está morta. Viva a Nova Escola. E que escola é esta? Uma organização sem barreiras físicas, onde ao ensino presencial tradicional se acrescenta a mais-valia da educação a distância, do recurso às tecnologias não como um apoio ao trabalho dos professores, mas como uma ferramenta de trabalho de todos, onde o horizonte é o mundo acessível pela internet e não apenas o da sala de aula, onde a autonomia do aluno é primacial, onde o papel do professor é cada vez mais de mediador, conselheiro, amigo crítico.

Ao pensar-se no próximo ano letivo deve colocar-se como prioridade consolidar novas respostas, incluindo as sociais, pois as regras do distanciamento são impossíveis de cumprir apenas com as soluções presenciais, pelo que é imperativo apostar em força nas potencialidades do online. Soluções do passado não resolvem os problemas do futuro.

(Artigo publicado na edição de 16 de julho de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)