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Play it, Sam: Ditadura

Assumo. Sou fã incondicional de Sacha Baron Cohen (SBC).

João M. Alvim, advogado jmalvim@gmail.com

Assumo. Sou fã incondicional de Sacha Baron Cohen (SBC). Para os mais distraídos este nome pouco significará, mas se falar em Ali G, Brüno ou Borat, serão poucos os que não saberão do que falo. E muitos, provavelmente, estranharão.

É que SBC não é um ator fora de série. E os seus filmes também não são obras-primas. E, afinal, SBC vive do humor no limite (o mesmo que já o fez quase ser agredido por várias vezes), o que muitas vezes é mais tentar ser engraçado que cair em graça. Mas ao mesmo tempo, SBC é um criador de personagens absolutamente únicas. Atrozes na sua ignorância, repugnantes no seu preconceito e odiosas na sua insensibilidade. Note-se que SBC também tem estado presente em outros filmes, em papéis secundários (mais recentemente n’“A Invenção de Hugo”), mas onde brilha mesmo é quando decide mergulhar no mundo do preconceito e colocar-se (ou colocar-nos) nas situações mais improváveis, usando as suas personagens para demonstrar que a estupidez, a ignorância e o preconceito são generalizados e não escolhem idade, género, proveniência ou formação. Tenho dúvidas que algum dia SBC regresse à genialidade de Borat, onde atingiu o zénite no que toca a conjugar tudo o que pode ser abjeto numa só pessoa, tanto que Ali G, apesar de ignorante não era abertamente xenófobo e Brüno… bem, Brüno só queria ser o segundo austríaco mais famoso depois de Hitler.

Agora chegou a vez do Ditador Aladeen da República de Wadiya, a que acrescenta às características do costume o exercício abjeto do poder, embora deixando a lógica do pseudo-documentário dos últimos dois filmes para contar a história de um odioso ditador que se vê despojado do poder em Nova Iorque. Sítio certo para a pessoa errada, portanto. Absurdo e humor sempre apoiados no preconceito é o que se pode esperar. E eu na primeira fila a assistir. Esquecendo por momentos outros absurdos bem reais com que temos de lidar.

(texto publicado na edição em papel de 18 de maio de 2012)