Leiria e Oeste possui uma das maiores concentrações industriais do país sendo um dos seus principais motores económicos. Fora das áreas metropolitanas, concentra 11,4% da população, 11% do PIB e 12,3% do VAB, com exportações próximas de metade da riqueza gerada.
Este percurso foi construído ao longo de décadas com base no saber-fazer industrial. O Politécnico de Leiria teve aqui um papel determinante, qualificando gerações e alinhando a formação com as necessidades das empresas.
O resultado foi um modelo assente na eficiência, na proximidade entre ensino e indústria e na capacidade de execução, que fez de Leiria e Oeste um dos territórios mais relevantes fora dos grandes centros.
Mas este modelo parece ter atingido o seu limite. Nos últimos 15 anos, face a outras regiões do litoral, Leiria e Oeste cresce menos, gera menor valor por hora de trabalho e apresenta salários 16% abaixo da média nacional.
O problema não está na capacidade empresarial. O território mantém a mais elevada densidade industrial do país. Mas a incapacidade de atrair investimento externo que traga diversificação perpetua a concentração em sectores maduros, com dificuldade em incorporar tecnologia, diferenciar e subir na cadeia de valor. Fazer bem o que sempre se fez já não chega, porque hoje a competitividade depende menos da eficiência e mais da inovação sustentada em conhecimento.
É aqui que está o ponto crítico. Um território com esta densidade industrial precisa de um motor de conhecimento à mesma escala. Sem ele, não se transforma à velocidade necessária para atividades de maior valor. O Politécnico tem cumprido, com mérito, a missão de politécnico, mas o desafio mudou.
Hoje, não basta ser eficiente e fazer bem. É preciso criar e transformar, o que exige investigação de fronteira, formação avançada e capacidade de sustentar inovação contínua e disruptiva. Essa não é a missão, nem a escala de um politécnico. O resultado é um bloqueio estrutural: há empresas e escala, mas falta um motor de conhecimento capaz de induzir inovação à escala do território.
É este bloqueio que o estudo Prospetiva 2035: Três Cenários para Leiria e Oeste identifica, com base num processo participado que envolveu mais de 850 pessoas de 24 municípios entre Soure e Torres Vedras, entre 2023 e 2025 (http://em.ipleiria.pt). Este não é, por isso, um diagnóstico abstrato, mas uma leitura partilhada e profunda do território sobre os seus próprios limites e ambições.
No cenário que permite convergir com as regiões mais dinâmicas, a transformação exige um salto no sistema de conhecimento. Não se trata de melhorar o bom Politécnico que existe, mas de dar o passo seguinte: criar uma universidade com escala científica e foco na fronteira do conhecimento, sem a qual o ecossistema continuará a divergir face aos restantes territórios do litoral.
Apesar do mérito do Politécnico, com 13 centros de investigação avaliados com Muito Bom ou Excelente, isso já não chega para responder ao desafio. Falta escala, massa crítica e capacidade de ir ao fim do mundo buscar os melhores talentos que garantam conhecimento de fronteira.
Sendo urgente, não basta que a Universidade de Leiria e Oeste exista. É preciso ambicionar que seja decisiva. Uma universidade de excelência, com escala e ambição internacional, capaz de trazer para o território e para o país as indústrias do futuro, muitas ainda por criar.