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Sociedade

Alunos, pais e professores de Leiria contra alterações no ensino privado

Alunos, pais e professores manifestaram-se esta tarde na cidade de Leiria contra a decisão do Governo de alterar as regras dos contratos de associação com as escolas do ensino particular e cooperativo.

Alunos, pais e professores manifestaram-se esta tarde na cidade de Leiria contra a decisão do Governo de alterar as regras dos contratos de associação com as escolas do ensino particular e cooperativo.

Alunos também protestaram

Organizada pelas associação de pais e direções dos colégios de Nossa Senhora de Fátima e Conciliar de Maria Imaculada, e da Escola de Formação Social, a manifestação juntou centenas de pessoas em frente aos Paços do Concelho, onde as palavras de ordem eram “respeito” e “igualdade”.

“Temos qualidade” e “Queremos existir” eram outras das frases que se liam nos cartazes e que se fizeram ouvir no decurso do protesto ruidoso, ao som de “vuvuzelas”, que terminou no centro da cidade, no Largo Paulo VI.

Aos jornalistas, o presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, com 500 alunos, disse acreditar que iniciativas como esta podem fazer recuar o Governo.

“Eu acredito que sim e para isso e por isso é que estamos aqui a trabalhar e, sobretudo, a informar, porque creio que há uma falta de informação muito grande da população sobre esta questão”, declarou Carlos Magalhães de Carvalho momentos antes de entregar ao vice-presidente da Câmara Municipal de Leiria um conjunto de documentos sobre o ensino particular e as consequências se o Governo mantiver a intenção de renegociar os contratos de associação.

O responsável afirmou que muitos pais não têm condições para manter os filhos nas escolas privadas se for exigido pagamento.

“Teriam de tirar de lá os filhos e abdicar de um projeto educativo fundamentado em valores”, referiu, acrescentando: “Em Leiria, eu creio que o ensino de iniciativa estatal está neste momento sobrelotado para absorver os alunos doutros colégios. Não sei como é que o Governo pensa depois resolver este problema”.

Já a diretora pedagógica do Colégio Conciliar de Maria Imaculada, com 800 estudantes, explicou que o protesto visa “lutar pela liberdade de escolha de ensinar e aprender nas escolas em Portugal”.

“Somos escolas privadas que oferecemos um serviço público de educação, com qualidade, com exigência”, adiantou Paula Maria Almeida, que sublinhou: “Achamos que não somos descartáveis, que merecemos, temos dignidade e experiência suficiente para continuarmos a servir e a prestar este serviço de qualidade”.

Sheila Neto, que frequenta o 9.º ano de uma das escolas que promoveu a manifestação, admitiu que se a medida do Governo for para a frente os “pais vão ter de pagar mensalidade” e, por isso, “talvez saia do colégio”.

Palavras subscritas por António Silva, do 7.º ano, que justificou desta forma a presença no protesto: “Eu estou a tentar que o ensino privado seja gratuito como dantes era”.

O vice-presidente do município anunciou que vai ser convocado o Conselho Municipal da Educação para analisar o “impacto” da decisão governamental, que “a autarquia vê com muita preocupação”.

“Uma decisão destas tem que ser devidamente avaliada de modo a garantir aquilo que é a sustentabilidade no concelho de Leiria, não só neste ano letivo, mas no futuro”, anotou Gonçalo Lopes.

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