Um homem, residente em Gondomar, esteve esta quinta-feira em frente à empresa Bosogol, nos Parceiros, Leiria, a reclamar o pagamento de uma dívida, no valor de 37 mil euros.

Carlos Pinto deitado à entrada da Bosogol (fotografia: Joaquim Dâmaso)

Carlos Pinto, dono da empresa Annettconstroi, trabalhou no ano passado durante quatro meses para a Bosogol, em Portugal e Espanha, na construção de lojas do Grupo Sonae, e desde então aguarda o pagamento dos serviços prestados.

O empresário chegou às 09h00 e passou o dia deitado no chão diante da entrada principal, enquanto mantinha a sua viatura a bloquear o acesso ao estaleiro.

Já noite, o administrador da Bosogol, António Vieira, surgiu na empresa e esteve reunido com Carlos Pinto, tendo prometido pedir dois mil euros emprestados para lhe entregar.

Ao REGIÃO DE LEIRIA, o construtor de Gondomar revelou que já recorreu à banca para cumprir os compromissos com os seus 16 funcionários e a Segurança Social, mas ainda assim não consegue pagar todas as dívidas.”Cheguei ao limite”, explicou, manifestando-se descrente nos tribunais e exemplificando com um processo judicial em que espera há sete anos para receber 30 mil euros.

António Vieira: “A Bosogol não tem um tostão”

António Vieira diz que a Bosogol “não pode pagar” ao fornecedor porque “não tem um tostão”.

“A Bosogol mesmo que queira pagar, não pode”, afirmou o administrador, explicando que a construtora “tem créditos penhorados por fornecedores” e “não consegue receber”.

De acordo com António Vieira, a empresa de Parceiros, que se dedica à construção e obras públicas, “é viável”, mas precisa de financiamento. As dívidas ascendem a 25 milhões de euros. Em Dezembro terá apresentado um estudo de viabilidade junto da banca, em relação ao qual aguarda resposta. Entretanto, contestou um pedido de insolvência apresentado em tribunal por um credor. Aos trabalhadores, deve 50% do salário de Janeiro e 50% do subsídio de férias.

INEM no local

Durante o dia, Carlos Pinto dizia-se empenhado em manter uma greve de fome até ver a situação resolvida. Foi assistido pelo INEM a meio da tarde e recebeu apoio de populares, que lhe ofereceram cobertores e uma almofada, além de água, comida e açúcar, que recusou ingerir. Depois da reunião com António Vieira, disse ao REGIÃO DE LEIRIA que planeava manter-se no local, comer e dormir na carrinha.

(notícia actualizada às 21h50)