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Mercado

Conservatórias prediais de Leiria trabalham a meio gás

Número de transmissões de prédios rústicos e urbanos caiu para metade em Leiria, fruto do clima económico e do excesso de oferta no parque habitacional.

O movimento nas duas conservatórias do registo predial de Leiria caiu para metade nos últimos dois anos. Um abrandamento na transmissão de imóveis, quer rústicos quer urbanos, que se acentuou ao longo de 2011 e em especial durante o segundo semestre.

Fonte do Instituto de Registos e Notariado e agentes dos sectores da construção e do imobiliário concordam que a explicação reside no débil clima económico e no excessivo parque habitacional.

Em janeiro de 2010, foram praticados 1.915 atos na 1ª e 2ª conservatórias do registo predial de Leiria. Mas em dezembro de 2011 esse número tinha baixado para 993.

Uma tendência que não surpreende Luís Machado, responsável pela imobiliária ERA na avenida Marquês de Pombal, agência que até tem vindo a crescer, em contraciclo.

“Há dificuldade em enquadrar os clientes no novo regime de crédito. Os bancos estão a cortar, o que faz com que existam menos vendas”, afirma, sobre o mercado de Leiria, notando que a maioria das transações são hoje feitas “a pronto pagamento por investidores” que procuram apartamentos para arrendar.

No ano findo, a diminuição de registos nas conservatórias da cidade foi de 39,2%. Os cinco piores meses são todos do segundo semestre: julho (992), setembro (859), outubro (880), novembro (943) e dezembro (993).

Um sinal da crise em que está mergulhada a fileira da construção e do imobiliário. As próprias receitas das autarquias ressentem-se desta realidade.

Raul Castro, presidente da Câmara de Leiria, explica que o município “constatou uma quebra muito grande no licenciamento de processos”, existindo “agentes económicos com projetos aprovados que não levantam as licenças”.

Ainda assim, os valores recebidos de IMI e de IMT aumentaram. Nas empresas de Leiria, tem havido alguma tendência para buscar soluções no estrangeiro.

No entanto, Hélder Guerreiro, diretor geral da construtora Asibel, da Batalha, lembra que a internacionalização pressupõe “capacidade financeira para investir que, na maioria das empresas, no contexto atual não existe, e capacidade de angariação de projetos de promotores imobiliários locais, que também se poderá revelar uma tarefa difícil”.

(noticia publicada na edição de 17 de fevereiro de 2012)

Cláudio Garcia
claudio.garcia@regiaodeleiria.pt