Assinar Edições Digitais
Sociedade

Goleadores e árbitros brilham nos dérbis autárquicos

Na ponta nordeste do distrito mora o concelho que foi palco do mais dramático dérbi da região. Protagonista: um árbitro internacional.

Na ponta nordeste do distrito mora o concelho que foi palco do mais dramático dérbi da região. Protagonista: um árbitro internacional.

Foi em Castanheira de Pera, a uma semana do Natal de 1989. Até hoje, em dez eleições, o PS venceu nove. Mas nesse dia, algo mudou. E o PSD conseguiu quebrar a hegemonia socialista na corrida pela presidência da Câmara. Por um voto.

O PS de sempre, que queria reeleger Júlio Henriques, somou 1.405 votos. O PSD, que colocou em campo o árbitro Viriato Graça Oliva, 1.406. Árbitro desde 1966, foi o protagonista de um dérbi eleitoral que se tornou um clássico. Reforçado pelo facto de ocorrer uma década depois de Graça Oliva ter arbitrado um outro clássico. Foi o homem do apito no Ben­fi­ca-Sporting de novembro de 1979. Também aí, a vitória foi arrancada pela margem mínima: 3-2, favorável aos encarnados.

Mas há um longo historial de embates. Sem contabilizar eleições intercalares que aconteceram pontualmente, no tradicional dérbi PSD-PS, a equipa laranja leva clara vantagem.

Nos 17 concelhos da região – distrito de Leiria e concelho de Ourém – soma 97 vitórias, contra apenas 47 do coletivo rosa. A jornada mais equilibrada foi precisamente a de 1976, a primeira depois da revolução de abril de 74.

Aí, com sete Câmaras, o PS ficou a apenas uma presidência dos sociais-democratas. Desde então, a distância entre os dois grandes tem-se acentuado. A maior “goleada” do PSD remonta a 2005, com um 13-2. Os socialistas ficaram reduzidos a duas presidências (Castanheira de Pera e Porto de Mós) enquanto o PSD conquistava 13. Quatro anos depois, nas últimas autárquicas, a equipa rosa amenizou a desvantagem: resultado final (11-5).

Em boa verdade, a vantagem laranja seria mais dilatada, caso as sete vitórias da AD fossem contabilizadas a seu favor. Mas esta coligação eleitoral juntou PSD e CDS, pelo que a repartição de pontos teria igualmente de beneficiar os centristas, terceiros classificados deste campeonato.

Têm 12 presidências, a última das quais conquistada em 1997, na Batalha. Na altura, era seu ponta-de-lança. António Lucas. Entrou para substituir Raul Castro que, deixou a camisola centrista, e numa surpreendente transferência, com a rosa ao peito, conquistou a presidência de Leiria à terceira tentativa.

Foi uma espécie de vitória na Liga dos Campeões, assegurando a primeira presidência à esquerda do PSD na capital de distrito. Já o último campeão centrista, António Lucas, é atualmente um dos mais eficazes “avançados” laranja, tendo já assegurado três vitórias para o PSD.

O Ronaldo de Alvaiázere

Na contabilidade dos “goleadores” de uma só equipa, o Cristiano Ronaldo da região é mesmo Álvaro Pinto Simões. À sexta jornada (1993), em Alvaiázere, conseguiu quase 79% dos votos para o PSD. Já entre os socialistas, por uma única vez superaram a barreira psicológica dos sete em cada dez votos: em 1997, Pedro Henriques arrecadou 73,95%.

Contudo, foi com a conjugação de esforços na AD que se atingiram goleadas históricas. Foi a 16 de dezembro de 1979. Em Alvaiázere, terra de recordes eleitorais, Felipe Santos amealhou 84,8% dos votos(!). Nesse mesmo dia, não muito longe, em Ansião, Manuel Marques, também na linha avançada da AD, conseguiu 80,2%. A região nunca mais viu nada assim.

Afastado dos holofotes das grandes goleadas, há ainda o registo do veterano vencedor. Desde 1985 que alinha pelo PSD, sem perder. Fernando Costa (Caldas da Rainha), desde a primeira vitória até hoje, conta 9.617 dias invicto.

Mais a norte, está o único concelho impermeável ao PSD. Na Marinha Grande, a emoção centra-se na disputa PS-PCP. Aqui, joga-se o dérbi mais à esquerda da região.

(notícia publicada na edição de 13 de abril de 2012. Leia na íntegra na página 8 da edição online)

Carlos S. Almeida
carlos.almeida@regiaodeleiria.pt