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Cantinho dos Bichos

Luís Crespo alimenta gatos vadios no Bairro dos Capuchos

Apoiado por uns, contestado por outros, o “senhor Crespo” passa ao lado das críticas e deixa o alerta: “Se não forem alimentados, os animais de rua adoecem e podem trazer doenças graves, como é o caso da raiva”.

O dia do “senhor Crespo“ (assim é conhecido no Bairro dos Capuchos) começa cedo. É entre as 7 e as 9 da manhã que sai de casa para alimentar os 12 gatos que vagueiam pelo bairro, em Leiria. No Pedrógão, tem mais 30 animais à sua espera. Não vai todos os dias até lá “porque o combustível está caro”, mas assegura que alguém faz o trabalho por si. Nos dias em que vai, levanta-se um pouco mais cedo “para os animais não ficarem muito tempo à espera”.

Luís Crespo confessa que não pode estar fora um dia inteiro porque está sempre preocupado com a alimentação dos gatos, “os animais não podem ficar sem comer”. Por ano, tira apenas 15 dias para gozar férias mas toma as devidas precauções: “Tenho que ter a certeza que fica alguém da minha confiança a tratar deles, senão não são férias, não vou descansado”.

Apoiado por uns, contestado por outros, o “senhor Crespo” passa ao lado das críticas e deixa o alerta: “Se não forem alimentados, os animais de rua adoecem e podem trazer doenças graves, como é o caso da raiva”.

Não consegue ficar indiferente perante a situação e lamenta a falta de civismo da população: “As pessoas vêm aqui estacionar no bairro e aproveitam para deixar o carro e o animal”.

Mas se há quem defenda a alimentação de animais na rua, há quem a conteste. “Desde há alguns meses que regressou o mau hábito de alimentar os gatos vadios” , denunciou Victor Barreiras ao REGIÃO DE LEIRIA. O leitor, residente na Quinta do Bispo, em Leiria, manifesta o seu desagrado, justificando que estes animais atraem ratos e ratazanas à urbanização.

Para Martha Barreto, do Centro Veterinário do Oeste, “a forma de evitar a sobrepopulação [animais de rua] consiste em promover ações de esterilização, a punir por abandono de animal e estimular a adoção”, defendendo que “a alimentação de animais de rua não é suficiente para elevar o número de outros animais considerados pragas”.